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Investigadores da UMinho detetam microplásticos em rios considerados saudáveis

05 jun, 2025 - 07:53 • Olímpia Mairos

Estudo incidiu no Norte de Portugal e insere-se no mapeamento em curso pela Europa. Esta quinta-feira celebra-se o Dia Mundial do Ambiente, dedicado ao combate ao plástico.

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Um estudo liderado pelo Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Escola de Ciências da Universidade do Minho revela a presença preocupante de microplásticos em organismos de rios do Norte de Portugal, mesmo em zonas ecologicamente preservadas.

Os cientistas avaliaram 15 troços dos rios Ave, Selho e Vizela, em maio e junho de 2023, em especial larvas de mosquito (Chironomidae) e vermes (Oligochaeta) nos sedimentos e que são fulcrais na cadeia alimentar fluvial.

Segundo Giorgio Pace, foram detetados microplásticos “em todos os organismos das amostras, independentemente da qualidade ecológica do rio”, acrescentando que o resultado do estudo “sugere que a presença de microplásticos não está exclusivamente associada à ocupação urbana do solo, pode também resultar de atividades agrícolas, industriais e domésticas, além de falhas na gestão de resíduos”.

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Mesmo os ecossistemas aquáticos mais preservados estão a ser afetados pela poluição invisível, como os microplásticos. Esses ambientes, antes saudáveis e capazes de se autorregular, agora enfrentam riscos crescentes. Os microplásticos não só causam impacto físico, como também transportam poluentes perigosos, como metais pesados, que se acumulam nos organismos e se espalham pela cadeia alimentar.

Por isso, o cientista do CBMA defende que “compreender os mecanismos de acumulação e eliminação de microplásticos é essencial para avaliar os riscos ecotoxicológicos e desenvolver medidas eficazes”.

Os investigadores recomendam uma abordagem integrada que combine ações preventivas – como a redução de plásticos descartáveis e a regulação de produtos que libertam microplásticos – com medidas corretivas, como barreiras físicas e melhorias no tratamento de efluentes. Entre as estratégias de prevenção, destaca-se também a melhoria da gestão de resíduos sólidos e o controlo de efluentes urbanos e industriais.

O estudo decorreu no âmbito dos projetos REACTivar (com apoio do Município de Guimarães), BluePoint (com fundos comunitários do Interreg) e RIPARIANET (com verbas da FCT, da rede Biodiversa+ e da Comissão Europeia), que está a analisar rios de Itália, Espanha, Alemanha, Suécia e Portugal, permitindo comparar padrões de contaminação a larga escala.

A investigação saiu na reputada revista científica “Hydrobiologia” e teve a parceria do Laboratório da Paisagem, do Município de Guimarães e da ARNET - Rede de Investigação Aquática.

Cerca de 11 milhões de toneladas de plástico entram anualmente nos ecossistemas aquáticos e, se houver ações significativas globais, essa quantidade pode aumentar 50% até 2040, alerta o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. A mensagem é destacada neste Dia Mundial do Ambiente, subordinado ao tema “Combater a poluição plástica”. A campanha deste dia propõe medidas como reduzir o consumo e recusar plásticos descartáveis, repensar o seu uso quotidiano e reciclar corretamente.

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