Crime
Agressões a ator levam a cancelamento de peça de teatro em Lisboa
10 jun, 2025 - 22:49 • João Pedro Quesado
O actor Adérito Lopes foi transportado para o hospital de São José para tratamento e observação. Foram deixados no local panfletos com as frases "Remigração", "Portugal aos Portuguezes".
O ator principal da peça "Amor é um fogo que arde sem se ver", Adérito Lopes, foi esta terça-feira agredido no teatro Cinearte, em Lisboa. A agressão levou ao cancelamento da peça de teatro.
Maria do Céu Guerra, atriz e encenadora da peça, afirmou à RTP que o elenco foi surpreendido por cerca de 30 pessoas que regressavam de uma manifestação na Praça do Martim Moniz.
"Eram cerca de 30, começaram por provocar uma atriz, que vinha com uma camisola com uma estrela, e que vinha com 'headphones' e, portanto, nem ouviu o que diziam", descreveu a atriz, explicando que "tentaram atacar um dos atores", com Adérito Lopes a chegar depois, "uma hora antes do espetáculo", sendo "agredido violentamente", tendo ficado com "um olho deitado abaixo".
O ator Adérito Lopes foi transportado para o Hospital de São José para tratamento e observação. O grupo terá fugido quando chegavam mais atores ao teatro, com o agressor a ser detido, segundo Maria do Céu Guerra.
Segundo a RTP, o grupo deixou no local panfletos com as frases "Remigração", "Portugal aos Portuguezes" — uma grafia habitualmente utilizada por elementos de extrema-direita que é anterior ao acordo ortográfico de 1945 —, e "defende o teu sangue".
As imagens da RTP mostraram ainda o público presente na sala, o que Maria do Céu Guerra indicou ser uma forma de protesto.
A peça "Amor é um fogo que arde sem se ver", da companhia A Barraca, está integrada nas celebrações do 5.º centenário do nascimento de Camões. A sessão desta terça-feira era a última de quatro gratuitas.
[notícia atualizada às 22h56]
- Noticiário das 7h
- 19 mai, 2026







