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Ator Adérito Lopes deixa hospital. Marcelo e Governo condenam ataque neonazi

11 jun, 2025 - 16:41 • Ricardo Vieira, com Lusa

Adérito Lopes foi agredido por um neonazi à entrada do teatro Cinearte, onde a companhia A Barraca tinha em cena a peça de teatro “O amor é um fogo que arde sem se ver”.

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O ator Adérito Lopes, que foi agredido na terça-feira à noite junto ao teatro A Barraca, em Lisboa, já recebeu alta hospitalar. A autoria do ataque é atribuída a um grupo neonazi.

Adérito Lopes, que foi golpeado por um elemento de extrema-direita e sofreu várias lesões na cara”, passou a noite no Hospital de Santa Maria, indica a agente do ator, citada pelo Jornal de Notícias.

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"Vai querer contar o que aconteceu, mas dentro de alguns dias", adianta a mesma fonte.

Adérito Lopes foi agredido à entrada do teatro Cinearte, onde a companhia A Barraca tinha em cena a peça de teatro “O amor é um fogo que arde sem se ver”.

Um suspeito foi identificado pela polícia.

Marcelo e Governo condenam “agressão cobarde"

O Presidente da República condena o ataque contra a companhia de teatro A Barraca.

Em comunicado, Marcelo Rebelo de Sousa adianta que falou telefonicamente com a diretora da companhia, Maria do Céu Guerra, "a quem transmitiu a sua solidariedade, extensiva a toda a Companhia e seus atores".

"Em Democracia há e tem de haver liberdade de pensar e exprimir o pensamento, de forma plural e sem censuras. E que essa liberdade e esse pluralismo não podem ser calados, nem sovados, por quem discorda", sublinha a nota divulgada pelo Palácio de Belém.

"Vivemos em Democracia e não queremos voltar a viver em ditadura", sublinha a Presidência da República.

A ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, repudiou esta quarta-feira a agressão contra a companhia teatral A Barraca, classificando-a de “atentado contra a liberdade de expressão, contra o direito à criação, contra os valores democráticos”.

“A Cultura é um lugar de liberdade, nunca de medo. Repudio a agressão cobarde de que foram alvo os atores da companhia A Barraca”, começa por escrever a ministra.

Margarida Balseiro Lopes sublinhou: “Este ataque é um atentado contra a liberdade de expressão, contra o direito à criação, contra os valores democráticos que nos definem enquanto país. A Cultura não se intimida. Não recua. E não aceita ódio travestido de discurso político”.

“Temos de garantir que artistas, técnicos e público podem participar plenamente na vida cultural, com segurança, respeito e dignidade”, reforçou a governante, que dirigiu ao ator agredido e a toda a equipa da companhia a sua solidariedade, em particular à diretora artística Maria do Céu Guerra, “cujo papel na cultura portuguesa é inestimável”.

Esquerda alerta para ameaça da extrema-direita

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, expressou solidariedade com a companhia de teatro A Barraca, após a agressão a um ator por um grupo de extrema-direita.

“Os neofascistas atacam os livros, o teatro e quem faz a cultura. Fazem-no porque acham que podem. O Governo do PSD retirou do relatório de segurança interna a ameaça da extrema-direita. É o maior risco à nossa democracia. Solidariedade com o teatro d’A Barraca. Vamos à luta”, escreveu a deputada única do Bloco de Esquerda na rede social X.

Na mesma rede social, a líder do grupo parlamentar do Livre Isabel Mendes Lopes também expressou solidariedade para com a companhia e declarou que a agressão "não pode ficar impune", acrescentando: "O aumento da violência e do discurso de ódio é para levar muito a sério".

Também na rede social X, o antigo deputado do Partido Comunista Português (PCP) António Filipe mostrou “solidariedade total” para com o ator agredido: “É urgente acabar com a impunidade destas associações criminosas (as tais que o Governo apagou do Relatório de Segurança Interna)”.

SOS Racismo pede intervenção do Governo

O movimento SOS Racismo condena as agressões e apela à intervenção do Governo contra atos de violência racista, xenófoba e homofóbica.

Em comunicado enviado às redações, a associação disse estar “ao lado das pessoas que sofrem na pele a violência de grupos organizados de extrema-direita, sobretudo imigrantes e pessoas racializadas” e pediu aos responsáveis políticos - Governo, Presidente da República e presidente da Assembleia da República - que condenem agressões e discurso de ódio motivado pelo preconceito e que tomem medidas.

Ao Ministério da Administração Interna, o SOS Racismo solicitou uma intervenção rápida, “garantindo a proteção policial necessária para salvaguardar as pessoas” e, ao Ministério Público, o coletivo pediu rápida detenção dos autores das agressões e um julgamento célere.

No mesmo comunicado, o SOS Racismo considera ainda que “a inoperância do Governo é assustadora” em relação ao caso da eliminação de um capítulo do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) 2024, que continha informação sobre a presença de grupos de extrema-direita em Portugal.

Casa do Artista condena ataque

A Casa do Artista condenou a violência cometida contra atores da companhia A Barraca e lembrou que numa democracia “não há lugar para o ódio, a intimidação ou a agressão”.

Em comunicado, a direção da Casa do Artista condenou “veementemente o ato de violência de que foram alvo os atores da Companhia A Barraca”, sublinhando a “total solidariedade” para com o ator agredido e para com os demais membros da companhia teatral.

A Casa do Artista reafirma a sua “firme defesa dos valores da democracia, do respeito e da dignidade humana bem como o [seu] compromisso com a dignidade e a segurança de todos os artistas”.

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