"É digno de uma América Latina". Especialista em segurança chocado com agressões a adeptos do Porto
11 jun, 2025 - 09:00 • Ana Fernandes Silva , João Malheiro
"Batemos no fundo", diz à Renascença Hugo Costeira, antigo diretor do Observatório de Segurança Interna.
Hugo Costeira mostra-se chocado com as agressões aos adeptos do FC Porto e compara o episódio de violência ao comportamento dos cartéis de droga da América Latina "onde se atacam carros e assassinam pessoas no meio da rua".
Em declarações à Renascença, o antigo diretor do Observatório de Segurança Interna diz que, a confirmar-se que aconteceram por razões clubísticas, é sinal que "realmente batemos no fundo".
"A impunidade e a violência são realmente assustadoras", lamenta.
Um carro onde seguiam apoiantes do Futebol Clube do Porto foi atacado, depois do jogo das meias-finais do campeonato nacional de hóquei em patins. Do ataque resultaram quatro feridos, dos com gravidade por causa das queimaduras.
É mais um caso num quadro de aumento do fenómeno. O mais recente relatório sobre violência no desporto, relativo á época em 2023/24, aponta para aumento de incidentes, com destaque para o uso de artefactos pirotécnicos.
Foram registados quase 8.900 incidentes, maioritariamente no futebol.
Hugo Costeira reconhece esta tendência e considera que o sistema judicial deve começar a ser "realmente eficaz" na resposta a estes crimes de violência.
"Devemos começar a olhar para estes fenómenos com alguma inteligência e temos de começar nas bases. Temos de começar a olhar para o nosso sistema de organização do Estado, porque estamos numa fase em que não conseguimos contratar polícias", aponta.
O antigo diretor do Observatório de Segurança Interna refere que "a polícia tem de começar a ser realmente respeitada" e começa a ser "intolerável" que seja aceitável que os agentes sejam insultados.
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