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Envolvido na morte de Alcindo Monteiro esteve no ataque a atores de "A Barraca"

11 jun, 2025 - 22:44 • Ricardo Vieira, com Lusa

Agressão ao ator Adérito Lopes terá sido levada a cabo por neonazi do grupo Blood & Honour

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O ataque a atores do teatro “A Barraca”, em Lisboa, terá sido levado a cabo pelo grupo neonazi Blood & Honour (Sangue e Honra). Um dos envolvidos foi condenado pelas agressões que levaram à morte de Alcindo Monteiro, em 1995, avança o Público.

O grupo de extrema-direita Blood & Honour está referenciado pela Polícia Judiciária e pelos serviços de informações, mas foi “apagado” do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI 2024), adianta o jornal.

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Uma das três vítimas do ataque ocorrido na terça-feira à noite, o ator Adérito Lopes, já teve alta depois de ter sido suturado na cara, mas os restantes atores da companhia temem retaliações, explicou Teresa Mello Sampayo, em declarações à SIC.

“Nós estamos numa grande agitação, porque entretanto os nossos nomes estão a ser divulgados e acompanhados por mensagens de ódio e de possíveis retaliações”, afirma a atriz.

"Estes ataques são completamente terroristas"

A atriz, encenadora e cofundadora de "A Barraca" Maria do Céu Guerra defende a necessidade de se fazer respeitar a Constituição, considerando um ato "terrorista", feito na "clandestinidade", a agressão a um ator da companhia.

"Nós temos a obrigação de fazer cumprir também a Constituição, porque aquilo que se faz clandestinamente - porque estes ataques são completamente terroristas - [...] têm de ser punidos", sustentou Maria do Céu Guerra.

A encenadora falava em frente ao Cinearte, em Lisboa, onde, na terça-feira, o ator Adérito Lopes foi agredido por um indivíduo que fazia parte de um grupo de cerca de 30 elementos, defensores de ideais neonazis.

O ator foi agredido depois de uma das atrizes de A Barraca, que usava uma 't-shirt' preta com uma estrela vermelha, ter sido agredida verbalmente por elementos do grupo com palavras de teor machista e por motivações políticas. Uma pessoa que assistiu a estas agressões contou hoje à agência Lusa que relacionavam a t-shirt com Che Guevara.

"Não se pode pegar no malandrinho que espancou ali a cara de um ator", porque o rosto de um ator "é o seu material de trabalho", sublinhou Maria do Céu Guerra, defendendo que não podemos limitar-nos a apresentar o agressor na esquadra, fazê-lo "assinar um papelinho" e depois soltá-lo.

O responsável pela concentração, Rui Manuel, disse que tomou a iniciativa, para hoje à tarde, em frente ao Cinearte, como cidadão, em solidariedade para com o ator agredido, como "uma reação de pele", afirmou, alegando ser necessário lutar e impedir que situações semelhantes aconteçam.

"Por vós, por nós, pelos meus filhos, pelos meus netos", disse Rui Manuel, que se fazia acompanhar por um pequeno grupo de jovens, alguns dos quais com formação de ator e atores independentes.

Adérito Lopes foi agredido quando chegava ao teatro e o suspeito foi detido perto do local das agressões.

Quanto aos outros suspeitos que participaram no ataque terão escapado.

O Ministério Público confirmou esta quarta-feira a abertura de um inquérito para investigar a agressão contra o ator Adérito Lopes, da companhia de teatro A Barraca.
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