Violência no desporto
Ataque a adeptos do FC Porto foi "grave", mas "não é caso único"
12 jun, 2025 - 00:47 • Redação
Coordenador do Observatório da Violência Associada ao Desporto, Daniel Seabra, diz que as causas do fenómeno são "múltiplas", não acredita que seja possível erradicar a violência, mas é possível tomar medidas para a conter.
O coordenador do Observatório da Violência Associada ao Desporto, Daniel Seabra, diz que o violento ataque a adeptos do FC Porto, por "casuals" do Sporting, teve uma "dimensão grave", mas não é "caso único" em Portugal.
Em declarações à Renascença, Daniel Seabra realça a necessidade de investigação, por parte das autoridades portuguesas, para se conseguir identificar os responsáveis. "Os vídeos são claros, o que se passou configura vários crimes", sublinha.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
De acordo com o sociólogo, este género de incidentes não constitui novidade, mas "este teve uma dimensão mais grave porque existem feridos", tendo sido necessário receberem assistência médica.
"O que vimos não é um caso único, tem impacto porque há vídeos e os incidentes ocorreram num contexto de um jogo disputado entre dois clubes grandes, em Portugal", acrescenta.
Mais violência no desporto?
Questionado sobre se este caso demonstra um aumento da violência no desporto, Seabra afirma que "por mais grave, e foi grave aquilo que aconteceu, não nos permite inferir que estamos perante um aumento da violência no desporto".
"É claro que os incidentes de terça-feira contribuem para uma perceção de que esse aumento está a ocorrer, mas esse aumento é tudo menos claro", reforça.
De acordo com Daniel Seabra, relatórios anuais de violência associados ao desporto demonstram que, nos últimos anos, não há evidências de existir um "aumento significativo e estruturado" desses incidentes. Pelo contrário: para além de não permitirem identificar uma tendência consistente, estes resultados revelam que em alguns incidentes os números estão a diminuir.
Seabra reforça a necessidade de não se desvincular este incidente de um "contexto social, cultural e político em que esta perceção da violência aumenta". Neste cenário, é necessário interpretar-se a violência associada ao desporto, mas também num contexto em que há uma atenção e uma focalização, por parte da comunicação social, que leva a esta perceção.
"Eu não acredito que possamos travar, erradicar, eliminar por completo a violência associada ao desporto porque as suas causas são múltiplas, as suas causas são diversificadas", afirma Seabra, da mesma forma que não se consegue combater a violência no quotidiano, na sociedade no geral. Apesar disso, destaca que há medidas que devem, e têm vindo a ser tomadas.
Um veículo com elementos da claque Super Dragões foi atacado esta terça-feira. Foram detidos três suspeitos, adeptos do Sporting, que podem vir a ser acusados de crime de incêndio e tentativa de homicídio. O carro foi incendiado com o recurso de tochas e o incidente está relaciona com o jogo de hóquei entre o Sporting e o FC Porto. Há quatro feridos, dois em estado grave.
Depois do sucedido, o FC Porto informou, através de um comunicado, ter contactado a Autoridade para a Prevenção e Combate à Violência no Desporto (APCVD) e a Federação de Patinagem de Portugal (FPP). Também o Sporting emitiu um comunicado em que confirma a ocorrência e condena os atos de violência.
- Noticiário das 17h
- 07 jun, 2026








