13 jun, 2025 - 09:00 • Jaime Dantas
No dia do Ritmo Cardíaco, que se assinala esta sexta-feira, a Sociedade Portuguesa do AVC chama atenção para o problema da fibrilhação auricular, uma "doença silênciosa" está na base de um terço dos casos de Acidente Vascular Cerebral, uma das doenças que mais mata em Portugal.
À Renascença, o neurologista João Pedro Marto explica que, como outros tipos de arritmias, esta doença é consiste "numa alteração da atividade elétrica do coração", que leva ao "funcionamento descordenado" deste órgão", resultando disso a formação de coágulos e por fim, o AVC.
"Na maior parte das vezes esta arritmia não dá queixas", conta o médico, e por isso é difícil diagnosticar a fibrilhação auricular.
Mesmo nos casos em que os doentes experienciam sintomas, estamos a falar de "palpitações, tonturas, cansaço ou desmaios, comuns a outras condições como a tensão baixa", acrescenta o médico.
"Ainda assim, estes sintomas podem nos fazer pensar que o doente está de facto a ter uma arritmia e nesse caso será importante ser avaliado e eventualmente fazer um electrocardiograma, ou outro exame chamado Holter ECG", diz.
Já para prevenir a doença, o clínico indica que seja adotado um estilo de vida saudável, uma vez que entre os fatores de risco estão "a tensão alta associada ao excesso de sal na alimentação, a diabetes associada ao excesso de açúcar, doenças do sono e o tabagismo".
Quem tem outras doenças cardíacas deve ter atenção redobrada, uma vez que estas também podem constituir um perigo para o desenvolvimento da fibrilhação auricular.
João Pedro Marto remata com um apelo aos doentes já diagnosticados para que "cumpram o tratamento recomedado".
"Quando o médico recomendar parar, parem mesmo no período recomendado e não mais porque já tive doentes que se esqueceram de tomar e tiveram um AVC, infelizmente", conclui.