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Julgamento

Anjos vs. Joana Marques. Cantores dizem que "houve adulteração de vídeo" e que vão provar danos

17 jun, 2025 - 19:33 • Liliana Monteiro , com redação

Julgamento do processo cível contra a humorista Joana Marques, que decorre no Palácio da Justiça, em Lisboa.

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“Não estamos aqui para discutir a liberdade de expressão, mas para provar que houve adulteração de um vídeo”, disseram os Anjos no final da primeira sessão do julgamento da ação cível contra a humorista Joana Marques, que decorre no Palácio da Justiça, em Lisboa.

Nelson Rosado, um dos elementos do grupo musical, afirmou aos jornalistas que ele e o irmão estão “compenetrados em provar em sede própria o que aconteceu".

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O outro irmão, Sérgio Rosado, disse concordar com Joana Marques, que o julgamento é uma perda de tempo, mas sublinha que a situação “escalou”.

Alegou que não conseguiram falar com a humorista após a publicação de um vídeo a brincar com a atuação do grupo durante um grande prémio de MotoGP, para resolver a questão “de outra forma”.

Uma das advogadas dos Anjos, Natália Luís, disse aos jornalistas que vai fazer em julgamento a prova da ligação da causalidade entre a publicação do vídeo nas redes sociais e os danos sofridos pelo grupo musical.

"Vamos fazer prova do nexo de causalidade entre a conduta da ré e os danos perpetrados (...) e de uma vez por todas deixar bem claro que não é uma questão de atentado à liberdade de expressão, todos nós a respeitamos ao máximo, mas é uma questão de manipulação do digital e de desinformação no digital e dos perigos que isso acarreta", declarou Natália Luís.

Joana Marques falou aos jornalistas da parte da manhã. A humorista lamentou que o tribunal esteja a perder tempo com o julgamento, mas disse ter “muita coisa para dizer”.

A segunda sessão está marcada para quarta-feira, com a audição de testemunhas arroladas pelos advogados dos Anjos.

Julgamento três anos após publicação

O caso remonta a 25 de abril de 2022, altura em que a humorista usou as redes sociais para partilhar um vídeo que resultava de uma montagem da atuação dos cantores a interpretar o hino nacional antes do arranque da prova de MotoGP, no Autódromo Internacional do Algarve, com comentários dos jurados do programa de talentos "Ídolos".

Em comentário e legenda do vídeo, a humorista escreveu: “Será que foi para isto que se fez o 25 de abril?”.

Os músicos não gostaram e, na reação, através da empresa Angel Minds – Gestão e Promoção de Espetáculos Lda., avançaram para a justiça e exigem agora o pagamento de mais de um milhão de euros pelos danos que dizem ter sido provocados por tal publicação.

Os Anjos alegam que sofreram perdas financeiras, com cancelamento de espetáculos e outros trabalhos, e danos na reputação. Referem ainda danos patrimoniais sofridos por duas sociedades: uma sociedade indiretamente detida pelos Anjos que explora a respetiva atividade profissional e outra sociedade detida pelo agente dos Anjos.

O tribunal irá apurar se o comentário feito cabe nos limites legais da liberdade de expressão de um humorista ou se excedeu essa liberdade, ferindo direitos de personalidade dos Anjos. Avaliará também se houve intenção de Joana Marques de difamar os Anjos, de os sujeitar a chacota pública e de lhes causar prejuízos.

Tentará ainda apurar se os Anjos tiveram efetivamente todos os prejuízos pessoais e profissionais que reclamam na ação; e, caso se apurem danos, determinar se estes foram causados pela publicação da humorista ou pela transmissão da atuação da banda na abertura do MotoGP de 2022.

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