Vai viajar para os Açores? Atenção à atividade sísmica
18 jun, 2025 - 07:29 • João Cunha
Para os açorianos, é normal a terra tremer. Contudo, a possibilidade de ocorrer um sismo de maior intensidade exige medidas de autoproteção.
Desde o inicio do mês, já foram cerca de 1.700 os sismos registados no arquipélago, a maioria com epicentro a sul da localidade de Povoação, na ilha de São Miguel. O Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores acompanha a atividade e aconselha medidas de autoproteção a residentes e visitantes do arquipélago.
Primeiro que tudo, uma certeza: a atividade sísmica faz parte do arquipélago, como sublinha Rita Carmo, investigadora e membro da direção do CIVISA, o Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores, à Renascença.
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"Sabemos que a atividade sísmica faz parte dos Açores. Temos sido assolados por frequente atividade sísmica, que muitas vezes assume este padrão, em que começa por haver um incremento da atividade sísmica em determinada zona sismogénica, que pode perdurar durante alguns dias, e a que chamamos vulgarmente de crises sísmicas", explica a investigadora.
A verdade é que esta atividade é caracterizada por "sismos de baixa a moderada magnitude, mais frequentemente baixa", mas que muito facilmente são sentidos pela população, "por causa da proximidade dos hipocentros das zonas habitadas".
É então a proximidade geográfica que leva a população a sentir estes abalos sísmicos de maior intensidade. E desde o inicio do mês, já foram bastantes.
"Já registámos mais de 1.700 eventos sísmicos e mais de 30 já foram sentidos pela população"
Rita Carmo refere ainda que a origem de todos estes sismos é, do que se sabe, tectónica, e não vulcânica.
"Neste momento, não há indícios que esta atividade esteja relacionada com um fenómeno de origem vulcânica, como assistimos recentemente na ilha de São Jorge ou no vulcão de Santa Bárbara, na ilha Terceira. Está a perdurar no tempo, mas provavelmente está relacionada com a dinâmica do nosso contexto na tectónica global do nosso planeta", refere.
Resumindo: está relacionada com o movimento das três placas tectónicas que atravessam o arquipélago, o que contribui para a sua instabilidade geológica e atividade sísmica. Destaque para a falha Açores-Gibraltar, que marca o limite entre as placas Euroasiática e Africana, e a Crista Média Atlântica, onde ocorre atividade sísmica ao longo do alinhamento das ilhas.
A tensão acumulada nessas falhas gera tensões que, de tempos em tempos, são libertadas. E é o que está a acontecer.
Para os açorianos, é normal a terra tremer. Contudo, estão sujeitos a que possa ocorrer um sismo de maior intensidade e, por isso, há que ter presente as medidas de autoproteção.
"De facto, esta região, sendo sismicamente ativa, estamos sempre sujeitos a que um evento maior possa ocorrer. Portanto, é terem presentes as medidas de autoproteção em caso de sismo, que estão disponíveis nos sites das autoridades de proteção civil", aponta.
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