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Movimento “Menos Ecrãs, Mais Vida” duvida da eficácia da proibição de telemóveis só até ao 6º ano

26 jun, 2025 - 08:00 • Olímpia Mairos , Fátima Casanova

Numa carta enviada ao ministro da Educação, o movimento alega que os alunos dos 2.º e do 3.º ciclos convivem no mesmo espaço escolar e, por isso, quer saber como vão ser aplicadas as regras de proibição.

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O Movimento “Menos Ecrãs, Mais Vida” duvida da eficácia da proibição de telemóveis só até ao 6º ano de escolaridade, uma medida ponderada pelo Governo para o próximo ano letivo.

O movimento alega que os alunos dos 2.º e do 3.º ciclos convivem no mesmo espaço escolar e, por isso, quer saber como vão ser aplicadas as regras de proibição de telemóveis. Esta é uma das questões dirigidas ao ministro da Educação numa carta a que a Renascença teve acesso.

A porta-voz do movimento, Mónica Pereira, diz que a dúvida é partilhada por muitas famílias.

“Há várias famílias a questionar-nos exatamente sobre isso. Os seus filhos não tendo acesso ao smartphone, portanto, alunos do 6º ano, terão com a convivência com alunos mais velhos a possibilidade, obviamente, de aceder continuamente aos conteúdos, por exemplo, conteúdos pornográficos, jogos online no recreio”, assinala.

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Nestas declarações à Renascença, Mónica Pereira acusa ainda o Governo de ser pouco ambicioso ao limitar os telemóveis só até ao 2.º ciclo, considerando que a medida fica longe das medidas implementadas pela maioria dos parceiros europeus.

“Parece-nos que é pouco ambiciosa, quando é comparada com outros países que até já limitam ao 12.º ano. A maioria dos países europeus limitam até ao 9º, nós por cá com esta medida estaremos a ser muito pouco ambiciosos”, aponta.

O movimento “Menos Ecrãs, Mais Vida” quer saber, por isso, quais os planos para o 3.º ciclo e ensino secundário.

Mónica Pereira alerta para o impacto que a utilização do smartphone tem na saúde dos alunos, avisando que estes aparelhos são viciantes e os mais novos não têm capacidade para resistir.

“As crianças não têm ainda capacidade para se autorregular, nós adultos sabemos que também não o conseguimos fazer”, diz a porta-voz do movimento, defendendo que é fundamental promover a socialização em todas as idades.

“É importante privilegiar em todas as idades a socialização que não é, de facto, promovida pelas dezenas de aplicações que o smartphone, que é um computador, um minicomputador de bolso, nos dá e, naturalmente, também traz os seus benefícios, mas, neste caso, dando uma oferta rápida e viciante para crianças e jovens não tem de todo, não traz vantagens ao nível físico, mental e social."

O movimento quer, assim, ver esclarecida a forma como vai ser implementada a proibição dos telemóveis nas escolas e, nesse sentido, na carta que enviou ao ministro da Educação pediu também uma audiência a Fernando Alexandre.

Para este ano letivo, já havia a recomendação do Governo para que as escolas proibissem os telemóveis, mas a decisão ficou nas mãos dos diretores. O ministro Fernando Alexandre tinha prometido uma avaliação da medida para setembro.

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