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Parque de campismo na Lourinhã encerrado para obras após privatização
27 jun, 2025 - 15:42 • Lusa
Os investidores pretendem instalar quatro tipologias de alojamento, desde 80 alvéolos para tendas de campismo e 35 lugares para autocaravanas e caravanas alusivos à temática Sol e Mar, 30 tendas de "glamping" sobre D. Pedro e Inês de Castro e 30 "bungalow" associados à paleontologia.
O Parque de Campismo da Praia da Areia Branca, na Lourinhã, encontra-se encerrado. Os utentes têm até segunda-feira para saírem, depois de ter sido concessionado pela câmara a privados.
A informação foi comunicada aos utentes pela empresa que ficou com a concessão. Contactada pela agência Lusa, a empresa não esteve disponível até ao momento para prestar esclarecimentos.
Nas últimas assembleias municipais, o vice-presidente da câmara, José Tomé, informou que o parque de campismo encerrou em 26 de maio, tendo sido dado um prazo para os campistas saírem até ao final deste mês.
Segundo o autarca, foram identificadas três pessoas a residirem em permanência no parque, apesar de o regulamento não o permitir.
O autarca esclareceu que foram acionados os serviços de Ação Social da autarquia para lhes garantir realojamento, mas os utentes acabaram por "recusar o apoio".
Em março, o município decidiu entregar a concessão e exploração do parque de campismo à empresa Moinho Fenomenal, único concorrente ao concurso lançado em fevereiro.
A empresa vai pagar uma renda anual de 368 mil euros e propõe-se investir 2,6 milhões de euros em obras a executar em 20 meses, a contar da aprovação dos projetos pelo município, o que vai permitir obter uma classificação de quatro estrelas.
Os investidores pretendem instalar quatro tipologias de alojamento, desde 80 alvéolos para tendas de campismo e 35 lugares para autocaravanas e caravanas alusivos à temática Sol e Mar, 30 tendas de "glamping" sobre D. Pedro e Inês de Castro e 30 "bungalow" associados à paleontologia.
Os funcionários municipais que até aqui trabalhavam no parque de campismo foram deslocalizados para outros serviços municipais, de acordo com as necessidades existentes.
A decisão de concessionar a exploração do parque a privados foi tomada em dezembro pelo executivo municipal e decorreu de um estudo económico-financeiro encomendado pela autarquia para apontar um modelo de exploração adequado à atual procura e às tendências de mercado.
A concessão pressupõe a realização de obras de requalificação, no fim das quais o parque deverá obter a categoria mínima de três estrelas ou superior.
"A requalificação do empreendimento e dos seus equipamentos, agregando as tendências de mercado que acrescentam valor e aumentam a qualidade do parque, permitirá aumentar a procura pelo equipamento e, por conseguinte, do território da Lourinhã, alcançando um posicionamento mais forte no segmento do campismo e ainda incrementar a qualidade da oferta", explicou a câmara municipal na altura.
O concessionário dispõe de 20 meses, após a licença, para iniciar as obras necessárias.
Segundo o estudo, o parque de campismo carece de um investimento de 2,6 milhões de euros para diversificar as ofertas de alojamento e executar obras legalmente exigidas para obter a classificação de alojamento turístico de três estrelas, que não tem.
A autarquia justificou a privatização do parque por não dispor do montante de financiamento necessário.
As condições e a oferta "obsoletas" do parque refletem-se nas contas, que apresentaram um prejuízo de 28 mil euros, em 2022, e de 71 mil euros, em 2023.
Ainda assim, o número de campistas aumentou 297% de 2019 para 2022 (2.183 entradas em 2019 e 8.671 em 2022).
Em 2022, o parque registou 8.671 entradas e mais de 33 mil dormidas, um crescimento de 23% e 19%, respetivamente, face a 2021.
A consolidação da imagem de marca da Lourinhã enquanto destino turístico associado aos dinossauros "é um dos fatores responsáveis pelo crescimento da procura turística", justifica a autarquia.
Inaugurado em 1966 junto à praia, o Parque de Campismo Municipal da Praia da Areia Branca, o distrito de Lisboa, ocupa uma área de 30.000 metros quadrados, dos quais 8.000 estão reservados a 244 estruturas permanentes e um hectare a campistas temporários, dispondo ainda de duas piscinas, parque infantil, esplanada, bar, sala de convívio, zonas comuns com churrasqueiras e mesas de refeições ao ar livre, infraestruturas de apoio, zonas técnicas, três balneários, vias de circulação e sombreamento proporcionado por 290 árvores.
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