Educação
Alunos sem aulas. Dados "existem", mas Governo não quer reconhecer “incompetência”
30 jun, 2025 - 22:41 • Cristina Nascimento , Fátima Casanova
Fenprof antevê que o próximo ano letivo será mais difícil, com mais professores a aposentarem-se nos próximos meses. A FNE considera que no primeiro dia de aulas o Ministério da Educação deve "ter a funcionar um sistema onde, diariamente, se possa saber quais as necessidades das escolas”.
O Governo tem acesso ao número de alunos sem aulas, mas não divulga por falta de vontade política. A tese é da Federação Nacional de Professores (Fenprof), no dia em que o Ministério da Educação divulgou uma auditoria externa encomendada para tentar apurar esses dados. A FNE mostra-se perplexa.
No relatório elaborado pela consultora, e divulgado pelo Ministério da Educação, lê-se que não há um sistema que permita aferir essas indicações com “solidez”.
No entanto, a Federação Nacional de Professores tem um entendimento diferente, considerando estar perante “um caso um bocado triste”.
“As escolas têm esta informação e o Ministério só não faz a recolha [dos dados] se não quiser”, assegura José Feliciano Costa, secretário-geral da Fenprof.
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Feliciano Costa garante que “as escolas têm um registo nas suas plataformas de todos os sumários, das aulas dadas ou não dadas, as chamadas previstas e dadas, do que aconteceu ao longo do ano todo, por período, por semana, por mês, e isto existe em suporte eletrónico”.
O dirigente sindical vai mais longe e garante que o Ministério da Educação não divulga os números para evitar reconhecer “a incompetência e o insucesso do plano Mais Aulas, Mais Sucesso”.
“O que nós sabermos - e o Ministério também sabe - é que em relação ao ano passado, o número de alunos a quem é que faltou ao longo do ano, pelo menos um professor é superior”, argumenta.
Nestas declarações à Renascença, numa altura em que o ano letivo já terminou, o sindicalista antevê que o próximo vai ser ainda mais difícil.
“Não vieram mais professores para as escolas, pelo contrário, vão aposentar-se mais professores. Temos já um conjunto significativo de professores que se aposentarão nos meses de setembro, outubro e novembro, meses onde há mais aposentações e os dados parecem indicar que este é um dos anos onde vai haver mais professores aposentados”, assegura.
O dirigente sindical considera ainda que esta auditoria vai ser um pretexto para “um desmantelamento dos serviços”.
Feliciano Costa argumenta que “está apontado no programa do Governo uma centralização de serviços, com a extinção, provavelmente, de direções gerais. Isto [a auditoria] também serve para dizer que há alguma incompetência nos serviços do Ministério da Educação”.
A Federação Nacional dos Professores nos últimos dias contabilizava mais de um milhão de alunos sem aulas devido à falta de professores no ano letivo que agora terminou.
Já o secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE) mostra-se “perplexo” pelo facto do Ministério da Educação ter admitido que não é possível dizer quantos alunos ficaram sem professor a, pelo menos, uma disciplina.
“Eu estou em querer que o Ministério da Educação, reconhecendo o erro e a falha, deve ser agora capaz desde o primeiro dia do próximo ano letivo ter a funcionar um sistema onde, diariamente, se possa saber quais as necessidades das escolas”, apela Pedro Barreiros.
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