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Operação Marquês

“Aqui já não se fará justiça”, diz advogado de Salgado

03 jul, 2025 - 16:41 • Marta Pedreira Mixão

O advogado de Ricardo Salgado lamentou também que a Justiça continue a não tirar consequências da doença do arguido, mas louvou o facto de o tribunal ter reconhecido que o cliente sofre de uma doença cognitiva.

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Francisco Proença de Carvalho, advogado do ausente Ricardo Salgado, começou por defender que havendo arguidos "de um processo destes há 11 anos, aqui já não se fará justiça certamente" e que, por se tratar de um processo mediático, os arguidos já "entram a perder" e, por isso, é "à justiça que cabe equilibrar a balança".

O advogado de Ricardo Salgado lamentou que a Justiça continue a não tirar consequências da doença do arguido, mas louvou o facto de o tribunal ter reconhecido que o cliente sofre de uma doença cognitiva.

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"Esta defesa esta amarrada pela ausência do seu cliente, não so física mas também cognitiva, uma ausência que é imposta por esta doença”.

O advogado disse em audiência que Salgado não pode ser "julgado como se nada fosse, alvo de despachos tabelares" que o despojam de dignidade humana. "Onde está o direito de defesa do arguido, que nem sabe que o julgamento começa hoje?", questiona.

Proença de Carvalho garante que "se a pessoa não se chamasse Ricardo Silva Salgado" não estaria nesta audiência ao dia de hoje e reiterou que o arguido não tem capacidade cognitiva para qualquer ação relativa ao processo, criticando também o sistema judicial português: "Bastava uma perícia para comprovar" que Ricardo Salgado tem Alzheimer.

"Se formos capazes de resistir ao justiceirismo, o resultado só pode ser a absolvição do Dr. Ricardo Salgado", conclui.

O ex-banqueiro está acusado de três crimes de corrupção (ligados a alegados negócios entre a Telecom e GES), nove de branqueamento (utilização de contas dos arguidos José Sócrates, Hélder Bataglia, Carlos Santos Silva, José Paulo Pinto de Sousa, Joaquim Barroca para alegada passagem de dinheiro) e três de fraude fiscal (relativa a alegadas ausências de declaração em sede de IRS).

O tribunal de julgamento da Operação Marquês que tinha indicado que “não ignora a gravidade do estado clínico do arguido e que a mesma tem impacto na sua capacidade de estar presente em julgamento”, “que é uma doença incurável” e configura uma diminuição lenta de progressiva da função mental.

O Tribunal permitiu, por isso mesmo, que o arguido fique ausente da sala de audiências desde que representado e defendido por um representante legal.

O julgamento da Operação Marquês começa assim com 13 dos 18 arguidos (pessoas singulares) presentes. Ausentes desta sessão estão: o primo do antigo primeiro-ministro, José Paulo Pinto de Sousa; Ricardo Salgado (ex-administrador do Grupo Espírito Santo) – que foi dispensado de comparecer em tribunal devido ao diagnóstico de Alzheimer; e Hélder Bataglia (fundador da Escom), por se encontrar em Angola

Recorde-se que os 21 arguidos respondem por mais de crimes económico-financeiros, entre os quais corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal. Este caso com mais de 12 anos conta com centenas de recursos, reclamações e outros incidentes processuais. Sócrates começa agora a ser julgado por 22 crimes: três de corrupção passiva (no exercício do cargo de primeiro-ministro), 13 de branqueamento de capitais e seis de fraude fiscal.

Para já, estão marcadas 53 sessões de julgamento, cerca de três sessões por semana, com início às 9h e fecho às 17h.

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