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Mais de 40% das freguesias não têm multibanco. "Exclusão bancária" afeta mais interior do país

03 jul, 2025 - 00:55 • Marisa Gonçalves

Associação de defesa do consumidor DECO afirma que o interior do país é a zona mais deserta de agências bancárias. Nalguns casos os clientes têm que percorrer dezenas de quilómetros. Redução de funcionários e escassez de caixas multibanco são fatores que agravam este cenário.

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Tem vindo a aumentar o número de encerramentos de balcões bancários, um pouco por todo o país. Pelas contas da associação de defesa do consumidor DECO, na última década, fecharam quase metade dos balcões das principais instituições bancárias e mais de 40% das freguesias não têm multibanco.

“Neste estudo sobre o que designamos de exclusão bancária, verificamos que nos últimos 10 anos, os cinco principais bancos nacionais, que representam mais de 80% do mercado bancário, encerraram cerca de metade das suas agências. Ao todo são 1.700 agências, com impacto mais significativo no interior. Estes encerramentos levaram à dispensa de 12 mil funcionários, durante este período”, afirma à Renascença Nuno Rico, economista da DECO Proteste.

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O interior do país é a zona mais deserta de agências bancárias. Portalegre e Bragança são os distritos menos servidos por serviços bancários. O estudo da DECO também conclui que a redução de funcionários agrava esta situação. Outro entrave é a imposição de limites no horário de atendimento.

“Em quase todos os bancos já existem alterações ou restrições no horário. Há balcões que só trabalham durante um determinado período do dia. Há balcões que fecham à hora de almoço. Há outros, por exemplo, que têm serviços limitados a uma ou duas horas por dia. Noutro casos existe o balcão, mas já não existem serviços de tesouraria”, especifica.

As caixas multibanco também são cada vez em menor número. Nuno Rico aponta que mais de 40% das freguesias não têm qualquer caixa automática. Além disso, em muitos destes locais, o mais próximo situa-se a vários quilómetros de distância.

“Em 10 anos temos menos 2.100 caixas automáticas no país, porque muitos destes encerramentos de balcões significaram o desaparecimento dessa caixa automática. Por outro lado, muitas vezes as juntas de freguesia tentam substituir-se aos bancos e disponibilizar esse serviço, mas depois os bancos exigem uma renda de manutenção da caixa. Exigem que a freguesia pague, por exemplo, as deslocações do técnico para fazer a manutenção da máquina. Ora, tal já não faz muito sentido quando, ainda por cima, os bancos já não têm o balcão presente nessa freguesia”, sustenta.

Levantamento ao balcão pode custar 15,60 euros

Outro fator que agrava o cenário de desertificação de agências bancárias pelo país é o elevado custo das operações ao balcão, para quem não utiliza os meios digitais. A DECO refere que há casos em que um levantamento ao balcão tem um custo médio de cerca de 7 euros, podendo chegar aos 15,60 euros. Uma transferência interbancária pode custar em média, 7,35 euros, ao balcão.

O economista da DECO reconhece que a digitalização da banca trouxe vantagens à generalidade dos consumidores, mas alerta que há uma parte significativa dos portugueses que está a ser deixada para trás neste processo.

“Há uma parte da população que não consegue aceder aos meios digitais, ou por questões de idade ou por não ter capacidade para poder utilizar estes meios de movimentação à distância. Estou a referir-me ao homebanking, à aplicação no telemóvel ou até mesmo ao próprio cartão bancário. E, quando nós olhamos para os lucros crescentes que a banca tem, principalmente nos últimos anos devido à subida das taxas de juro, e sabendo de toda esta poupança que é obtida com o encerramento de balcões e com a dispensa de funcionários, é muito difícil de compreender como é que a banca deixa ao abandono uma boa percentagem destes clientes”, declara.

Nuno Rico defende a criação de “uma espécie de serviços mínimos bancários”, em função da distância a que estão os serviços disponíveis ou da dimensão populacional das regiões, para inverter este cenário.

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