Sem corpo, sem confissão. Começa leitura da sentença do caso da grávida da Murtosa
07 jul, 2025 - 19:32 • Fábio Monteiro
Desaparecida em outubro de 2023, grávida de sete meses, Mónica Silva nunca mais foi vista. Ministério Público acusa Fernando Valente de homicídio qualificado e exige 25 anos de prisão. Leitura do acórdão está marcada para terça-feira, pelas 10h00, no Tribunal de Aveiro.
A 3 de outubro de 2023, Mónica Silva jantou com os filhos na Murtosa, avisou que ia tomar café e saiu de casa. Nunca mais regressou. Tinha 33 anos e estava grávida de sete meses. Até hoje, o corpo continua desaparecido.
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Nascida e criada na Murtosa, distrito de Aveiro, Mónica vinha de um contexto familiar marcado por dificuldades económicas e sociais. Trabalhava em cafés e bares. Após a separação do marido, com quem teve dois filhos, passou a viver com a irmã gémea e outros familiares.
Tempos mais tarde, começou uma nova relação. E engravidou.
Segundo o Ministério Público (MP), Mónica mantinha uma relação com Fernando Valente, empresário da região. Terá sido a revelação da paternidade do bebé, dias antes do desaparecimento, que motivou o crime.
Na noite do desaparecimento, Fernando ligou a Mónica por volta das 21h00. Esta saiu de casa levando o telemóvel, uma carteira e ecografias da gravidez. A última prova de vida são dois telefonemas ao filho mais velho, pouco antes da meia-noite, em que prometia estar “quase a chegar”.
A investigação do MP indica que Mónica terá sido morta nessa noite no apartamento da família Valente-Cruz, na Torreira. O corpo foi alegadamente escondido, sem que até hoje tenha sido encontrado.
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Fernando Valente, de 37 anos, responde pelos crimes de homicídio qualificado, aborto, profanação de cadáver, acesso ilegítimo e aquisição de moeda falsa. O Ministério Público considera provados os factos e pediu a pena máxima de 25 anos de prisão.
Durante as alegações finais, no Tribunal de Aveiro, a procuradora sublinhou que, apesar da ausência do corpo, os indícios reunidos são suficientes para condenar o arguido sem margem para dúvida razoável. Citou registos telefónicos, imagens de videovigilância, incongruências nos álibis e o estado do apartamento como provas chave.
“O arguido tomou a resolução de matar Mónica Silva e o feto que esta carregava”, conclui o despacho de acusação.
A motivação, segundo o MP, terá sido o receio de que a revelação da paternidade colocasse em causa o património do empresário.
O advogado dos filhos da vítima acompanhou o pedido do MP, frisando a robustez da prova digital e das contradições apresentadas por Fernando e pela sua família. Considera que houve um plano premeditado para atrair Mónica com o pretexto de ver ecografias e depois eliminar provas.
A defesa rejeitou todas as acusações, alegando manipulação de prova, agressões a testemunhas e má conduta na investigação. Negou a paternidade do bebé, apresentando um parecer médico com uma data de conceção diferente.
Fernando Valente, que permanece em prisão domiciliária, reafirmou a sua inocência nas últimas declarações ao tribunal: “Não sei o que se passou com a Mónica. Não sei absolutamente nada. Não lhe fiz absolutamente nada.”
A leitura do acórdão está marcada para 8 de julho, pelas 10h00, no Tribunal de Aveiro.
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