Telemóveis
Depois das escolas... Ordem dos Psicólogos defende plano sobre uso de ecrãs em casa
08 jul, 2025 - 07:00 • Fátima Casanova
No próximo ano letivo, os smartphones vão ser proibidos até ao 6.º ano de escolaridade e as regras que as escolas têm de adotar vão ser conhecidas esta terça-feira.
A Ordem dos Psicólogos avisa que o uso excessivo de ecrãs está associado a “maior depressão, maior ansiedade e maiores dificuldades na regulação da atenção com consequências no desempenho académico”.
Os telemóveis na escolas vão ser proibidos até ao 6.º ano e deve haver um plano familiar sobre o uso de telemóveis em casa.
Reduzir a exposição de crianças e jovens aos ecrãs é fundamental para o seu bem-estar e desenvolvimento positivo, defende a presidente do Conselho de Especialidade de Psicologia da Educação (CEPE) da Ordem dos Psicólogos, Sofia Mendes.
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Em declarações à Renascença, a especialista diz que “o uso abusivo de tecnologia é uma preocupação das famílias há bastante tempo".
De acordo com Sofia Mendes, as famílias “procuram ajuda especializada por causa das consequências do uso excessivo e de outros fenómenos que lhe estão associados”, como por exemplo, “maior depressão, maior ansiedade, maiores dificuldades na regulação da atenção, da impulsividade, com consequências naquilo que é o desempenho académico”.
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A presidente do CEPE da Ordem dos Psicólogos concorda, por isso, com restrições no uso de smartphones nas escolas e sugere às famílias, que na sequência das novas regras, adotem um plano sobre o uso de ecrãs em casa, que pode passar por “desligar os ecrãs durante as refeições e passeios em família e não utilizarem o telemóvel antes de irem dormir”.
Sofia Mendes aconselha que “as crianças devem descontinuar a utilização do telemóvel, pelo menos, uma hora antes de irem dormir” e garantir que o telemóvel não fica no quarto.
Entre as estratégias, esta psicóloga sublinha que é importante “o estabelecimento de controlos parentais para monitorizar o tempo despendido em ecrãs e os conteúdos a que os filhos estão expostos”.
Limitar telemóvel pode provocar “comportamentos reativos”
Nestas declarações à Renascença, a presidente do CEPE da Ordem dos Psicólogos avisa os pais que, numa fase inicial, é natural que os filhos protestem com a imposição de novas regras.
Sublinha que “cada família vai ter de ver, em casa, aquilo que faz sentido: se faz sentido dar acesso ou se faz sentido esse acesso ser limitado, avisando “que quando subitamente se mudar um comportamento, por parte das crianças é natural que haja um comportamento mais reativo”.
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Sofia Mendes diz que “quanto mais pequenos, mais podemos ter a expressão de birra, que resulta do sentimento de frustração que podem estar a experienciar, por ter sido recusado algo que queriam muito”.
Avisa os pais que nesta fase de limitação de uso de ecrãs “naturalmente vão despender de algum tempo e de energia”, sendo que estas mudanças vão “introduzir novidade na dinâmica familiar e na relação entre pais e crianças.”
Exposição até 2 horas para crianças dos 6 aos 11 anos
Sofia Mendes lembra que as recomendações relativas à exposição aos ecrãs indicam que as crianças dos 6 aos 11 anos deveriam utilizar estes equipamentos tecnológicos, no máximo durante duas horas por dia.
A partir dos 12 anos, a psicóloga defende que “o tempo pode ser alargado até às três horas”.
Sofia Mendes avisa que o início da adolescência, entre os 11 e os 15 anos, é uma das fases mais vulneráveis aos conteúdos das redes sociais, por isso, defende a limitação do uso de smartphones.
"É um período em que há maior vulnerabilidade às tecnologias de informação, sobretudo às redes digitais, à comparação daquilo que é a aparência física, à comparação daquilo que é o estilo de vida com aquilo que são os conteúdos observados online e isso pode impactar negativamente a autoestima e o bem-estar dos adolescentes."[Notícia atualizada às 10h09 de 8 de julho de 2025]
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