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​Sócrates contesta “acusação amalucada” com “smoking gun”

08 jul, 2025 - 14:49 • Cristina Nascimento

Manhã do segundo dia da Operação Marquês resume-se a pouco mais de duas horas de trabalhos na sala de audiências, dominada pelo início das declarações de José Sócrates.

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O antigo primeiro-ministro José Sócrates considera que a acusação do Ministério Público é “amalucada” e garante que tem uma “smoking gun” para desmontar a argumentação. Foi neste tom que Sócrates deu início às suas declarações iniciais que dominaram os trabalhos, desta segunda-feira de manhã, do julgamento da Operação Marquês.

A sessão fica marcada por desentendimentos entre a presidente do coletivo de juízes com a defesa de Sócrates, tendo o antigo primeiro-ministro chegado a declarar que não seguiria a orientação dada pela juíza Susana Seca.

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Sócrates assegurou ao tribunal que pretendia pronunciar-se por considerar que seria a sua melhor defesa e sugeriu dividir a sua intervenção por temas. A discórdia surgiu quando Sócrates, durante a sua oratória, cita testemunhos feitos durante a fase de instrução.

A juíza Susana Seca explicou a José Sócrates estava a “perder tempo” e que a leitura de depoimentos que já estão incluídos no processo “é inútil para a defesa”.

Apesar da chamada de atenção, José Sócrates prosseguiu a estratégia de proferir declarações iniciais detalhadas. Na manhã deste segundo dia de julgamento, o antigo primeiro dedicou-se, por exemplo, a explicar os negócios em torno da PT e a posição do Governo face a uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) da SONAE.

Foi neste capítulo que Sócrates garantiu ter uma "smoking gun" [arma fumegante] para desmentir a acusação do Ministério Público, segundo a qual Ricardo Salgado, ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES), terá sido favorecido pelo antigo primeiro-ministro socialista.


“Esta acusação é falsa", apresentando de seguida algumas provas documentais, entre as quais a que considerou ser “a prova rainha, a ’smoking gun’".

“Está aqui o despacho do secretário de Estado das Finanças, assinado três dias antes da assembleia geral [para votar a OPA da Sonae à PT], confirmando a posição de abstenção do Governo", explicou José Sócrates.

Na exposição de José Sócrates, o antigo primeiro-ministro dedicou-se ainda ao tema do alegado suborno que teria recebido para utilizar a “golden share” do Estado na PT para chumbar a venda da Vivo por parte da PT.

"É uma acusação amalucada. É quase uma corrupção masoquista", acusa Sócrates.

"Como se pode acusar o Governo de não ser contra quando há vários despachos de todo o Executivo a ser contra? Isto é uma fantasia completa", atira Sócrates.

No total, a manhã de trabalhos terá durado pouco mais de duas horas: entre as 10h e as 11h30 e depois das 11h40 às 12h30.

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