Operação Marquês
Sócrates rejeita ter recebido 150 mil euros do primo
10 jul, 2025 - 13:47 • Tomás Anjinho Chagas
Antigo primeiro-ministro assegura que não estava com José Paulo na altura em que, alegadamente, recebeu o dinheiro em mãos e critica o Ministério Público pelas perguntas feitas em Tribunal. "Não sei se estamos no julgamento ou no Parlamento”, ironiza.
Ao quarto dia de julgamento da Operação Marquês, o antigo primeiro-ministro voltou a recusar que tenha recebido dinheiro do seu primo, José Paulo.
Em causa a acusação do Ministério Público, que acredita que José Sócrates foi recebendo dinheiro do seu primo, José Paulo, que viria de transferências do empresário Hélder Batáglia. O antigo primeiro-ministro rejeita tudo isso.
“Nunca recebi nenhum dinheiro do meu primo José Paulo”, afirmou na quarta sessão, no Campus de Justiça, esta quinta-feira.
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Sócrates virou-se para uma parte do processo onde o acusam de ter recebido 50 mil euros do primo José Paulo em mãos, no Algarve: “Qualquer pesquisa no Google daria para perceber que isso é falso, estive dois ou três dias com ele, mas segunda-feira estava em Bragança. Ele levantou esse dinheiro lá para a vida dele, e não esteve comigo”, respondeu.
Críticas ao MP
Durante a manhã, José Sócrates voltou a irritar-se com algumas das perguntas feitas por Rui Real, procurador do Ministério Público, na qual questionou algumas decisões tomadas por ele enquanto liderava o Governo, em relação à PT.
O antigo primeiro-ministro criticou o Ministério Público, por considerar que o procurador estava a fazer questões políticas e não criminais: “Isso é matéria da política. Pensava que estávamos a tratar de crimes aqui, mas se quer fazer de oposição ao meu governo da altura, eu respondo”, respondeu, com a sua habitual ironia.
A sessão teve ainda tempo para abordar uma troca de correspondência entre José Sócrates e Belmiro de Azevedo, antigo líder do grupo SONAE, em que o antigo primeiro-ministro aproveitou para criticar o empresário pela forma como abordava o Governo. Em causa está a intenção da dona do Continente de entrar na OPA à PT.
"O tom do Belmiro de Azevedo era sempre de quem vem fazer um serviço ao país. Sempre achei que era um traço de personalidade, afinal de contas, não há homens perfeitos. Sempre achei que era meu dever enquanto primeiro-ministro aturar essa arrogância”, resume José Sócrates.
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