Habitação
Moradores tentam impedir, mas demolição avança em Loures após intervenção policial com bastões
14 jul, 2025 - 12:25 • Redação com Lusa
Autarquia de Loures assumiu responsabilidade pela operação. Agentes da Equipa de Intervenção Rápida da PSP usaram bastões para afastar os manifestantes, tendo uma pessoa sido arrastada pelo chão, confirmou a agência Lusa no local.
A demolição de casas autoconstruídas no Bairro do Talude Militar, em Loures, teve início esta segunda-feira por volta do meio-dia, numa operação ordenada pelo município e precedida por confrontos entre moradores e a polícia.
Pouco antes do arranque dos trabalhos, a polícia interveio para dispersar um grupo de residentes que tentava impedir a entrada da maquinaria. Agentes da Equipa de Intervenção Rápida da PSP usaram bastões para afastar os manifestantes, tendo uma pessoa sido arrastada pelo chão, confirmou a agência Lusa no local.
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Após o reforço do contingente policial, a máquina avançou com as demolições, começando pela casa número 1.062, situada na entrada do bairro.
Durante toda a manhã, o ambiente foi marcado por tensão entre os moradores e as forças de segurança, num cenário que tem vindo a repetir-se no bairro, situado no distrito de Lisboa.
A vereadora da Habitação da Câmara Municipal de Loures, Sónia Paixão, esteve presente junto à entrada do Talude Militar, mas recusou-se a prestar declarações aos jornalistas no interior do bairro. Mais tarde, e em breves declarações, a vereadora com o pelouro da Polícia Municipal, Paula Magalhães, acabou por reiterar que a autarquia agiu como tinha de agir. "Foi dado o prazo legal das 48 horas e foi cumprido", disse.
Câmara de Loures assume responsabilidade
A Câmara Municipal de Loures acabou por assumir a demolição de 64 casas autoconstruídas no Bairro do Talude Militar, onde vivem 161 pessoas, e esclareceu que a operação policial no local decorre sob comando da autarquia.
"A Câmara Municipal de Loures não permitirá a construção e a continuidade da construção desta realidade que são as barracas no concelho de Loures", afirmou a vereadora com o pelouro da Polícia Municipal, Paula Magalhães (PS).
Em declarações à Lusa e à Antena 1, a autarca de Loures falava a cerca de 200 metros da entrada do Bairro do Talude Militar, onde está em curso a demolição de barracas, depois de os moradores terem sido notificados na sexta-feira pelo município, localizado no distrito de Lisboa.
"Foram notificados com as 48 horas que a lei obriga", indicou Paula Magalhães. Sobre o facto de essas 48 horas serem durante o fim de semana, o que impede qualquer ação no sistema judicial português, a autarca do PS respondeu que é o tempo para os moradores poderem retirar os seus pertences das barracas, "que é o objetivo da notificação".
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Relativamente à operação policial no Bairro do Talude Militar, inclusive com o uso da força para afastar os moradores, a vereadora da Polícia Municipal disse que a mesma "está sob o comando da câmara municipal", explicando que os avanços e recuos no processo de demolição "são logísticos".
"Os avanços e recuos são em função das possibilidades que a polícia vê para a concretização dos trabalhos, tendo em conta que os moradores, ou seja, as pessoas que estão a ocupar estas barracas não retiraram os seus pertences e, portanto, há aqui alguma atenção a ter", expôs.
Quanto à ausência de um mandado judicial para a realização desta operação, até considerando que há moradores que avançaram com providências cautelares para travar as demolições, a autarca disse que há uma providência cautelar "que foi interposta para uma das barracas", que inclui outras quatro casas autoconstruídas que "não estão inseridas no lote a demolir no dia de hoje".
"Estão a tentar utilizá-la para um território que não é", acusou Paula Magalhães, referindo-se à providência cautelar.
Em relação ao pedido dos moradores para uma reunião com o presidente da Câmara de Loures, Ricardo Leão (PS), antes de se avançar com as demolições, a vereadora admitiu que a autarquia não se disponibilizou para tal, por considerar que "não existe essa necessidade", nem o processo administrativo obriga a tal.
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"Aliás, as pessoas foram notificadas e, neste momento, estão a ser recebidas pelos serviços sociais da câmara", acrescentou, indicando que as soluções habitacionais para estes moradores "são as previstas na lei e regulamentadas".
Em concreto, "para quem procurar estes serviços tem um mês de renda e um mês de caução para apoiar na procura de uma habitação", afirmou autarca, ressalvando que têm de ser as pessoas a procurar casa para arrendar.
"Temos soluções, não as que as pessoas procuram, portanto aquilo que as pessoas procuram é um realojamento imediato e não se prevê um realojamento nestas situações, até porque temos uma lista de 1.000 pessoas em espera para realojar e não seria de todo justo passar à frente de quem espera pacientemente por uma habitação, com estas pessoas, muitas delas acabadas de chegar diretamente de um aeroporto para aqui", declarou a socialista Paula Magalhães.
De acordo com a autarca, nos últimos meses foram demolidas "sensivelmente 55" barracas no concelho de Loures, onde viviam "mais ou menos 70 pessoas", e a autarquia prevê mais demolições no Talude Militar e noutros bairros.
"São demolições de construções não legalizáveis, ilegalizáveis completamente no terreno em que estão", sustentou, defendendo que também está em causa a proteção da saúde pública, uma vez que as barracas "não têm condições de habitabilidade", inclusive não têm esgotos.
A vereadora Paula Magalhães recusou ainda a existência de um projeto urbanístico para a zona do Talude Militar, afirmando que "esta é uma área ilegalizável".
[notícia atualizada às 16h00 de 14 de julho de 2025 para acrescentar mais declarações]
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