Morreram 477 pessoas nas estradas portuguesas em 2024
18 jul, 2025 - 10:00 • Olímpia Mairos
A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária revela que no último ano, foram registados mais de 38 mil acidentes que resultaram em 477 mortes, menos 43 que em 2019 - ano de referência para a monitorização das metas fixadas pela Comissão Europeia e por Portugal.
Em 2024, houve mais acidentes nas estradas portuguesas, mas menos vítimas mortais.
De acordo com o relatório anual de sinistralidade, divulgado esta manhã pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), no último ano “foram registados 38.037 acidentes com vítimas, 477 vítimas mortais, 2.756 feridos graves e 44.618 feridos leves no Continente e nas Regiões Autónomas”.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
Comparando com 2019 – ano de referência para monitorização das metas de redução do número de mortos e de feridos graves até 2030 fixadas pela Comissão Europeia e por Portugal – registaram-se no Continente e nas Regiões Autónomas menos 43 vítimas mortais (-8,3%) e menos 335 feridos leves (-0,7%). Contudo, foram apurados mais 786 acidentes (+2,1%) e mais 224 feridos graves (+8,8%).
Olhando apenas para o continente, em 2024 forma registados 36.338 acidentes com vítimas, dos quais resultaram 463 vítimas mortais, 2.576 feridos graves e 42.683 feridos leves.
Comparativamente com 2023, registou-se uma diminuição de quatro vítimas mortais (-0,9%) e de 4,6% no índice de gravidade que reduziu de 1,34 para 1,27.
Segundo a ANSR, registaram-se mais 1.364 acidentes (+3,9%), mais 139 feridos graves (+5,7%) e mais 1.625 feridos leves (+4,0%).
Mortes dentro de localidades aumentam
A colisão representou a natureza de acidente mais frequente em 2024, correspondendo a 53,6% dos acidentes, 41,5% das vítimas mortais e 46,6% dos feridos graves. Os despistes, que representaram 33,0% do total de acidentes, foram responsáveis por 44,3% das vítimas mortais.
No último ano, o número de vítimas mortais dentro das localidades (253) foi superior ao apurado fora das localidades (210).
“Comparativamente a 2019 e a 2023, observou-se um aumento das vítimas mortais dentro das localidades (+11,9% e +14,5%, respetivamente), contrastando com a tendência decrescente fora das localidades (-15,3% face a 2019 e -14,6% face a 2023)”, lê-se no relatório.
O índice de gravidade dos acidentes fora das localidades ascendeu a 2,73 em 2024, uma redução de 14,1% e 18,6% face ao registado em 2019 (3,18) e 2023 (3,35), mais de três vezes mais ao registado dentro das localidades (0,88).
Em 2024, 62,6% dos acidentes ocorreram em arruamentos, representando 32,4% das vítimas mortais (-4,5% e +11,1% em relação a 2019 e 2023, respetivamente) e 46,0% dos feridos graves.
Nas estradas nacionais ocorreram 19,9% dos acidentes, com 36,5% das vítimas mortais (+19,0% e +9,0% face a 2019 e 2023, respetivamente) e 30,2% dos feridos graves.
Já nas autoestradas, registou-se uma redução de 15 vítimas mortais e 23 feridos graves face a 2019. Em relação a 2023, houve menos duas vítimas mortais, mantendo-se o número de feridos graves igual.
Mais de metade das vítimas eram condutores
Considerando as vítimas mortais, 73,2% do total correspondiam a condutores, enquanto 14,9% eram peões e 11,9% passageiros. Em termos de variações homólogas, nas vítimas mortais, verificaram-se diminuições de 36,0% face a 2019 e de 23,6% face a 2023, e nos passageiros, uma redução de 6,8% nos peões face a 2019, mas um aumento de 21% em relação a 2023.
Já em relação à categoria de veículo interveniente nos acidentes, os automóveis ligeiros corresponderam a 70,8% do total, tendo-se registado uma diminuição de 4,2% face a 2019, mas um aumento de 3,5% relativamente a 2023.
A ANSR salienta que se verificaram incrementos significativos nos velocípedes (+53,7% face a 2019 e +11,2% comparando com 2023) e nos motociclos (+34,4% e +6,8% perante os mesmos anos), destacando “a redução face a 2019 e 2023 nos ciclomotores (-33,3% e -11,0%, respetivamente)”.
Considerando as vítimas totais por categoria de veículo, verificou-se que, em 2024, 53,4% do total de vítimas deslocava-se num veículo ligeiro (-9,6% e +2,6% face a 2019 e 2023, respetivamente), enquanto 21,7% circulava em motociclos (+35,0% e +7,0% face a 2019 e 2023, respetivamente) e 7,7% em velocípedes (+58,0% e +11,3% comparando com os mesmos anos).
Salienta-se a descida de 10,0% nos peões vítimas face a 2019, apesar da subida de 5,7% face a 2023.
Fiscalização de veículos e condutores subiu 47%
De acordo com o relatório anual de sinistralidade, em 2024, foram fiscalizados presencialmente pelas Forças de Segurança 2,9 milhões de veículos e condutores, e de forma automática através de radar, pelas Forças de Segurança, pela Polícia Municipal de Lisboa (PML) e pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), 259,6 milhões de veículos, num total de 262,5 milhões de veículos, o que representa um aumento de 47,7% em relação a 2023.
O Sistema Nacional de Controlo de Velocidade (SINCRO) da ANSR e a Guarda Nacional Republicana (GNR) registaram aumentos de 46,9% e de 97,8%, respetivamente. Pelo contrário, a PML registou uma diminuição de 42,0% e a Polícia de Segurança Pública (PSP) de 8,5%.
As infrações ascenderam a 1,5 milhão, o que representa uma diminuição de 10,1% face ao ano anterior.
No que diz respeito à tipologia de infrações, 60,5% do total registado em 2024 foi referente a excesso de velocidade, que registou uma diminuição de 5,9%.
Em 2024, foram submetidos ao teste de pesquisa de álcool 2,1 milhões de condutores, o que representa uma diminuição de 9,3% face a 2023. A taxa de infração (nº de infrações por álcool/nº de testes efetuados) desceu de 1,94% em 2023 para 1,64% em 2024, uma redução de 15,3%.
A criminalidade rodoviária, medida em número total de detenções, baixou 31,2% face a 2023, atingindo 27,9 mil condutores. Do total, 55,8% deveu-se à condução sob a influência de álcool (-30,1%), seguindo-se 30,4% por falta de habilitação legal para conduzir (-43,2%).
- Noticiário das 21h
- 07 jun, 2026








