Operação Pretoriano
Fernando Madureira condenado a três anos e nove meses de prisão
31 jul, 2025 - 15:10 • João Pedro Quesado
O Ministério Público pediu penas de prisão efetiva superiores a cinco anos para seis dos 12 arguidos: Fernando e Sandra Madureira, Vítor "Catão", Hugo "Polaco", Vítor "Aleixo" e o filho deste, com o mesmo nome, todos com ligações ao universo "azul e branco".
Fernando Madureira foi esta quinta-feira condenado a três anos e nove meses de prisão, considerado culpado de crimes de ofensa à integridade física no âmbito da Operação Pretoriano.
O antigo líder da claque Super Dragões, do FC Porto, foi também condenado a interdição em recintos desportivos por dois anos e seis meses.
Fernando Madureira encontra-se em prisão preventiva desde fevereiro do ano passado.
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Sandra Madureira, mulher de Fernando Madureira, foi condenada a dois anos e oito meses de prisão, com pena suspensa. Também fica proibida de entrar em recintos desportivos durante um período de seis meses.
A juíza do processo Pretoriano deu como provada a existência de um plano criminoso para intimidar outros adeptos e influenciar a assembleia geral do FC Porto, de novembro de 2023.
O arguido Vítor Catão foi condenado a três anos e seis meses de prisão e a um ano e meio de interdição em recintos desportivos. Vai sair de prisão domiciliária.
Hugo Carneiro, conhecido como "Polaco", recebeu uma pena de dois anos e nove meses de prisão. O elemento dos Super Dragões fica também proibido de frequentar recintos desportivos durante e dois anos e meio.
Vítor Aleixo foi condenado a dois anos e dez meses de prisão, Vítor Bruno a três anos e três meses, Hugo Loureiro a quatro anos e um mês, José Pedro Pereira a dois anos e dez meses e Fábio Sousa a dois anos e sete meses. Todos ficam proibidos de entrar em recintos desportivos por períodos diferentes.
O advogado do arguido Fábio Sousa admitiu aos jornalistas, à saída do tribunal, que pretende recorrer: "Há aqui alguns sinais positivos mas irei recorrer". O advogado assume que não esperava a sentença de Fábio Sousa, mas que "é para isso que servem os recursos".
Carlos Nunes, conhecido como "Jamaica", recebeu uma sentença de dois anos e dez meses de prisão e um ano e meio de interdição de entrada em estádios e outros recintos desportivos.
Dois arguidos absolvidos
Dos 12 arguidos, apenas Fernando Saul e José Dias foram absolvidos dos crimes pelo Tribunal Criminal de São João Novo, no Porto.
Em declarações aos jornalistas, Fernando Saul diz que a decisão do tribunal "é um alívio". "Nunca tive nada a ver com este processo" refere Saul, à saída do tribunal.
O Ministério Público (MP) tinha pedido penas de prisão efetiva superiores a cinco anos para seis dos 12 arguidos: Fernando e Sandra Madureira, Vítor "Catão", Hugo "Polaco", Vítor "Aleixo" e o filho deste, com o mesmo nome, todos com ligações ao universo "azul e branco".
Segundo a acusação, os Super Dragões terão procurado "criar um clima de intimidação e medo" na Assembleia Geral, na qual ocorreram confrontos e agressões, para garantir a aprovação da proposta de alteração dos estatutos do clube, do "interesse da direção" então liderada por Jorge Nuno Pinto da Costa.
Nas eleições de abril de 2024, Pinto da Costa, presidente do clube durante 42 anos, viria a ser derrotado por André Villas-Boas.
O MP imputa ao grupo 19 crimes de coação e ameaça agravada, sete de ofensa à integridade física no âmbito de espetáculo desportivo, um de instigação pública à prática de crime, um de arremesso de objetos ou líquidos e três de atentado à liberdade de informação.
Após a fase instrutória, o tribunal levou todos os 12 arguidos a julgamento nos termos exatos da acusação, tendo considerado sólida a prova documental, testemunhal e pericial reunida.
Fernando Madureira foi o único arguido sujeito a prisão preventiva durante o período do julgamento, que se iniciou em março, enquanto Sandra Madureira, Fernando Saul, Vítor Catão e Hugo Carneiro, também com ligações à claque, foram sendo libertados durante fases anteriores.
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