Guerra no Médio Oriente
Luís Montenegro: "Não quero medalhas pelo reconhecimento da Palestina. Quero é paz no Médio Oriente"
31 jul, 2025 - 19:30 • Diogo Camilo
Primeiro-ministro diz que reconhecer o estado da Palestina "não é chegar a uma Assembleia da República e votar num papel" e que envolve uma "concertação com vários países" para que a posição "possa influenciar o que acontece no terreno".
O primeiro-ministro defendeu esta sexta-feira que Portugal esperou para se juntar a outros países no reconhecimento do Estado da Palestina para que a posição "possa influenciar o que acontece no terreno", criticando o "reconhecimento atabalhoado" que não contribuiu para uma solução da guerra em Gaza.
Em declarações em Valpaços, Luís Montenegro defendeu que, apesar de Portugal "não ser dos mais velozes" na tomada de posições, faz um percurso “paulatino, seguro e consistente”.
"Não quero chegar amanhã e levar uma medalha porque Portugal reconheceu a Palestina. Quero é paz no Médio Oriente, quero paz entre Israel e a Palestina e quero a salvaguarda dos direitos humanos. Hoje há um claríssimo do direito internacional e do direito humanitário em Gaza", afirmou o primeiro-ministro.
Questionado sobre se Portugal decidiu o reconhecimento sobre a Palestina após outros países como a França e o Reino Unido decidirem o mesmo, Montenegro defendeu que este é um "processo normal" e que há uma "concertação com vários países", como França, Reino Unido, Austrália e Canadá.
Sobre o voto contra do PSD e do CDS num projeto de resolução para o reconhecimento da Palestina no Parlamento a 11 de julho, Montenegro contrapôs que o atual Governo “foi o primeiro de Portugal a votar nas Nações Unidas a integração da Palestina como membro” e que “já tinha sido um governo do PSD a fazer o mesmo para o estatuto de observador”.
O chefe de Governo defendeu que o objetivo de reconhecimento do Estado da Palestina não pode ser "atabalhoado" e que uma decisão "sem sustentação e sem preenchimento de determinadas condições" não contribuiu para a solução do problema.
“Mais de 140 países reconheceram a Palestina. Isso fez alguma coisa no terreno? Não. Queremos que a nossa posição possa influenciar o que se passa no terreno", defendeu Montenegro, que pede posições como um “Hamas desmilitarizado”, a entrega de todos os reféns desta guerra, o reconhecimento do estado da Palestina por Israel, garantias de condições de segurança e que a Palestina possa ter uma democracia representantiva, eleições e capacidade institucional.
"Isto não é chegar a uma Assembleia da República e votar num papel", acrescentou.
Esta quinta-feira, o Governo anunciou que vai ouvir o Presidente da República e os partidos políticos para "considerar efetuar o reconhecimento do Estado palestiniano" em setembro.
- Noticiário das 6h
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