Associação de Inquilinos Lisbonenses
Inquilinos: "Sabemos perfeitamente que o número de despejos é muito superior"
05 ago, 2025 - 10:20 • João Cunha
Presidente da Associação de Inquilinos Lisbonenses diz que "os portugueses não têm dinheiro para arrendar nem para comprar". Nos primeiros cinco meses do ano, os despejos aumentaram 14%, segundo dados da Direção-Geral da Administração da Justiça. Lisboa representa 21% do total nacional, seguida do Porto.
O presidente da Associação de Inquilinos Lisbonenses, Pedro Ventura, diz que deverá haver muitos mais despejos do que aqueles que contam nos dados oficiais, alerta
Os despejos aumentaram 14% nos cinco primeiros meses do ano, face a igual período do ano passado. Os números da Direção-Geral da Administração da Justiça, divulgados pelo jornal "Público", não surpreendem Pedro Ventura.
"Eu acho que pecam por defeito. No início do ano passado, a Inspeção-Geral de Finanças dizia que 60% de contratos de arrendamento não eram declarados. Por isso, sabemos perfeitamente que o número de despejos é muito superior", diz o dirigente associativo à Renascença.
Outro dado que pode ser cruzado com este é o aumento do número de barracas na área Metropolitana de Lisboa.
"Se aumenta o número de barracas, e os números da AML indicam que há dois anos estava identificada uma dezena de núcleos de barracas, e neste momento temos quase trinta, isto significa que a habitação tem preços incomportáveis e os despejos levam a encontrar respostas a uma necessidade imediata".
Quanto ás medidas introduzidas no setor, a Associação de Inquilinos não poupa nas críticas.
"Em vez de estimularem o mercado, as medidas têm afastado os proprietários, que não colocam as casas no mercado de arrendamento", por receio de que, por exemplo, os arrendatários em dificuldades resistam à saída, por falta de pagamento.
A Associação fala de uma crise habitacional assustadora, com características muito diferentes das que se viveram durante o período da troika.
Nessa altura, "as famílias portuguesas viviam com dificuldades significativas e muitas colocaram as suas casas no alojamento local, para superar os rendimentos que perderam". Mas neste momento, "temos um mercado totalmente liberal, de consumo de habitação por parte de cidadãos estrangeiros".
Conclui Pedro Ventura que, nesta altura, "os portugueses não têm dinheiro para arrendar nem para comprar".
"O problema é sempre o mesmo: pobreza endémica, que está a agravar também os problemas da habitação", remata Ventura.
- Noticiário das 5h
- 06 jun, 2026








