Fogos
Incêndios. Viragem do vento provoca momentos de aflição em aldeia em Trancoso
12 ago, 2025 - 15:35 • Redação com Lusa
Aviões Canadair emprestados por Marrocos já estão a combater os fogos em Portugal.
Permanecem ativos os três grandes incêndios que lavram nos concelhos de Trancoso, Vila Real e Tabuaço. Um dos focos de maior preocupação a esta hora é a aldeia de Terranho, no município de Trancoso. As pessoas mais frágeis já foram levadas para o centro da povoação face à aproximação do fogo e, sobretudo, devido ao muito fumo que tomou conta daquela localidade. O presidente da câmara fala numa viragem súbita do vento que levou as chamas a aproximarem-se da aldeia.
"No espaço de meia hora o vento muda a direção do incêndio e aquilo que parecia, de certa forma, não causar perigo, torna-se, de facto, um perigo iminente", começa por dizer aos jornalistas o autarca, Amílcar Salvador. "As pessoas estão a viver momentos de pânico. Tem sido assim desde a tarde de sábado", lamenta, acrescentando que não, até ao momento, relato de nenhum ferido.
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Perto de 1.200 operacionais estavam esta terça-feira, pelas 15h15, empenhados no combate aos três mais preocupantes incêndios em destaque pela Proteção Civil, que lavram em Vila Real, Tabuaço e Trancoso.
Segundo o "site" da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, nos três fogos qualificados como ocorrências significativas estão empenhados 1.194 operacionais, apoiados por 396 meios terrestres e 21 meios aéreos.
Os incêndios em Tabuaço (Viseu), Trancoso (Guarda) e Sirarelhos (Vila Real) estavam em curso, enquanto outros dois incêndios de dimensões significativas - em Alvite, Moimenta da Beira (Viseu) e Covilhã -- se encontravam em resolução, sem perigo de propagação.
O incêndio que lavra em Trancoso voltou a agravar-se, esta terça-feira à tarde, avançam os repórteres da RTP, que se encontram no local. À hora de almoço, o fogo mantinha duas frentes ativas, que estão a ser combatidas por quase 600 operacionais, apoiados por oito meios aéreos.
À Renascença, o comandante sub-regional da Proteção Civil do Oeste, Carlos Silva, explica que o combate decorre favoravelmente numa destas frentes.
“Contra as nossas previsões que tínhamos no dia de ontem, este período da noite não foi tão favorável como gostaríamos. Mantemos ainda as duas frentes ativas, sendo que a frente que está junto à Aldeia Velha está a decorrer favoravelmente e esperemos que no decorrer da manhã a mesma fique resolvida”, adianta o responsável.
Já a outra frente de fogo, lavra numa zona sem acesso a meios terrestres, mas sem colocar habitações em risco.
Segundo o comandante Carlos Silva, esta frente esteve a arder toda a noite num local sem acessibilidade a meios terrestres e acabou por progredir cerca de 3 a 4 quilómetros em direção ao Sebedelhe da Serra.
O responsável diz que “esta frente ainda está afastada das habitações, dos aglomerados habitacionais” e que vão tentar agora nas primeiras horas da manhã, já com o apoio dos meios aéreos e com o mesmo a entrar numa zona com acessibilidade aos meios terrestres, “agarrar esta frente”.
Já em Castanheira, os aviões Canadair emprestados por Marrocos estão a participar no combate ao fogo, enquanto que o esforço dos operacionais se concentra, ao início desta tarde, na frente ativa que lavra na serra do Alvão, Vila Real.
Este é já o 11.º dia deste incêndio que começou às 23h45 do dia 2 de agosto, já esteve em conclusão e, desde sábado, sofreu duas reativações no sábado e na segunda-feira à tarde.
Miguel Fonseca, comandante sub-regional do Douro, disse que, pelas 13h15, o fogo se desenvolvia numa área de montanha, "sem perigo imediato para as localidades mais próximas".
"Daí estamos a concentrar todos os nossos esforços, todas as nossas operações nesta frente principal", frisou, acrescentado que, em consequência das condições meteorológicas, acontecem reativações junto de algumas localidades que obrigam a dispersar alguns meios.
O incêndio, esta manhã, tem-se desenvolvido na zona das aldeias de Cravelas, Testeira e Paredes.
No entanto, realçou que, com a colaboração dos meios aéreos (dois aviões, um helicóptero pesado e um helicóptero ligeiro) se tem conseguido resolver as reativações.
"Mas o que faz com que, temporariamente, tenhamos que interromper alguns trabalhos que estamos a desenvolver nesta frente ativa", apontou.
Com o incêndio a desenvolver-se há mais de uma semana, o perímetro é "muito grande" e, segundo Miguel Fonseca, "com área muito sensível e de esforço".
"Parte da sensibilidade desta operação deve-se à grande quantidade de localidades que existem na linha de produção do incêndio", referiu.
No terreno estavam, pela hora do "briefing" feito à comunicação social, 323 operacionais, das diferenças forças como bombeiros, GNR, Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e Exército, apoiados por 111 veículos terrestres e quatro meios aéreos. Durante a manhã chegaram a atuar seis meios aéreos.
"Vão-se manter dentro da disponibilidade, da capacidade da estrutura operacional ir alimentando este teatro de operações como os demais grandes teatros de operações que temos nesta área do norte do país", referiu.
É que, segundo realçou o comandante, ao fogo na serra do Alvão acrescenta-se outro que se desenvolve na sub-região do Douro, em Tabuaço, e novas ignições que acontecem diariamente neste território, algumas em período noturno.
"Temos neste momento dois teatros de operações considerados grandes na sub-região do Douro, mas continuamos a ter que dar resposta inicial às novas ativações", afirmou.
Na segunda-feira, exemplificou, foram contabilizadas cerca de uma dúzia de novas ocorrências, cerca de metade das quais aconteceram "durante o período da noite".
Miguel Fonseca referiu que é difícil gerir recursos que "são finitos" e que, neste momento, "estão sujeitos a um estado de cansaço extremo" em consequência dos incêndios que têm acontecido.
Através de uma mensagem de telemóvel enviada esta manhã, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) fez saber que se mantém, neste território, o risco extremo de incêndio.
A serra do Alvão abrange Vila Pouca de Aguiar, Ribeira de Pena, Vila Real e Mondim de Basto, e, no espaço de uma semana, já ardeu área dos quatro concelhos, em três incêndios diferentes (Sirarelhos, Pinduradouro e Alvadia).
Portugal está em situação de alerta devido ao risco de incêndio e nas últimas semanas têm deflagrado vários incêndios no norte e centro do país que já consumiram uma área de quase 60 mil hectares.
[Notícia atualizada às 17h30 de 12 de agosto de 2025 para acrescentar declarações do autarca de Trancoso]
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