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País

“Estamos sozinhos”. Autarca da Mêda a braços com problemas de comunicação

17 ago, 2025 - 11:27 • Maria João Costa

João Mourato diz que no concelho não se consegue ver cinco metros à frente. "Parece inverno!”. O presidente da Câmara da Meda diz que além das dificuldades com as comunicações, começa a “sentir dificuldade no abastecimento de água”.

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O presidente da Câmara da Mêda já pediu ao Governo que declare situação de calamidade. No seu concelho os fogos diz não deixam “ver cinco metros à frente”. “Parece que estamos no inverno”, desabafa o autarca.

A chamada telefónica chega com alguns cortes. João Mourato começa por explicar à Renascença que está com “muita dificuldade em ter comunicações”.

“Não há comunicações no concelho. Eu não consigo comunicar com ninguém. Não há NOS, não há MEO, não há nada! Eu estou neste momento na Proteção Civil da Câmara e também não me sabem dar grandes informações”, relata o autarca.

Desesperado com o fogo que chegou pelo lado de Trancoso, João Mourato fala em “calamidade”. “Há ainda focos de incêndio em algumas localidades. Amainou um pouco os incêndios, mas continuam estradas cortadas”.

O interior do interior

“A vida aqui não é fácil”, declara cansado por estes dias de incêndio. O presidente desta câmara do distrito da Guarda sente-se impotente.

Nem eu próprio sei aquilo que se está a passar concretamente, porque não tenho qualquer tipo de comunicação. Estamos sozinhos no mundo”, desabafa.

João Mourato olha para o mapa dos concelhos vizinhos atingidos pelos fogos nestes últimos dias e elenca: “A Mêda e todos estes territórios, Trancoso, Sernancelhe, Guarda, passaram a partir deste grande incêndio a ser, não do interior, mas do mais interior”, denuncia.

Falta água

João Mourato diz, deste domingo de manhã que tem outra preocupação em mente. Estão “a sentir alguma dificuldade no abastecimento de água”.

O autarca indica que “a barragem que é a da EPAL está com água, mas faltam, os meios elétricos para transportar a água para o reservatório”.

Estamos a viver muito mal”, refere, pedindo que o Governo central olhe para situações como as do concelho da Mêda.

“Acho que deviam de olhar mais por estas situações. O interior está a sofrer muito, muito, muito”, lamenta.

Esta era uma época festiva no concelho que tradicionalmente no mês de agosto recebe de volta a casa os emigrantes.

“As nossas festas da cidade, que eram estes dias, foram todas canceladas. A Câmara teve de pagar aos artistas. Não quisemos ficar a dever nada a ninguém, mas não houve qualquer festa ou atuação”, explica falando do prejuízo.

“As populações é que foram os grandes heróis”

Olhando para a estrutura da câmara, Mourato considera que “não tem estrutura para acudir a uma situação destas”.

“Há uma boa vontade, até, dos nossos funcionários, da parte da Proteção Civil, da Ação Social, mas principalmente, foram as populações que defenderam, com muita galhardia, os seus o seu património”, relata.

Para este autarca “as populações é que foram os grandes heróis”. Contudo, João Mourato não deixa de agradecer “a vinda de muitos bombeiros, de outros concelhos que também ajudaram”.

Na Mêda não há casas destruidas e “meia dúzia de pessoas ficaram feridas”, mas vive-se há dias debaixo de um “ar asfixiante, com uma nuvem negra que envolve a cidade”.

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