Incêndios
Proteção Civil admite "falhas pontuais" no SIRESP nos últimos dias
17 ago, 2025 - 14:52 • Catarina Severino Alves , João Pedro Quesado
O fumo tem dificultado a atuação dos meios aéreos no combate às chamas, segundo o comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, devido a um "aprisionamento nas camadas mais inferiores da atmosfera".
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A Proteção Civil admitiu, este domingo, que teve ao longo dos incêndios dos últimos dias "alguns reportes de falhas pontuais" no sistema SIRESP, a rede de comunicações do Estado para comando e coordenação de comunicações em situações de emergência, mas sublinhou que neste momento não há anomalias. No ponto de situação às 14h havia nove incêndios entre os "mais preocupantes" para as autoridades, que apontam para uma mudança do vento durante a tarde como potencial fonte de problemas.
"Tivemos alguns reportes de falhas pontuais da comunicação SIRESP, foram reportadas à SIRESP de imediato, portanto a SIRESP tem feito todas as diligências para conseguir debelar a situação, e portanto à data de hoje não temos reportes de situações de anomalia na rede SIRESP", afirmou o comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Mário Silvestre.
SIRESP é o acrónimo para Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal, a rede utilizada pelo Estado para o comando, controlo e coordenação de comunicações em todas as situações de emergência e segurança. O sistema foi pensado durante os governos de António Guterres, adjudicado durante o governo de Pedro Santana Lopes e refeito por António Costa no governo de José Sócrates. Entrou em operação em 2013.
O comandante explicou ainda que o fumo tem "causado problemas significativos" na utilização dos meios aéreos, devido a um "aprisionamento do fumo nas camadas mais inferiores da atmosfera".
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"Temos os centros de meios aéreos cobertos de fumo, o que não nos permite, em segurança, operar com essas aeronaves. Temos as zonas dos teatros de operações para a utilização desses recursos também cobertas com uma densa camada de fumo, o fumo não dissipa, o que nos impede também de utilizar os meios aéreos nesses teatros de operações", apontou o responsável da Proteção Civil, acrescentando que o problema se estende às "zonas de scooping, onde abastecemos".
Mudança de vento "pode causar alguns problemas"
Mário Silvestre apontou que a "situação de todos os incêndios está bastante estabilizada", mas realçou que isso pode mudar em alguns casos "sobretudo a partir da tarde, com a rotação de ventos a Norte que nos pode causar alguns problemas".
Mário Silvestre relatou 28 ocorrências novas "até às 14h30 deste domingo", entre as quais "22 tiveram início no período nocturno".
"Neste momento são nove as ocorrências mais preocupantes: Trancoso [incêndio unido ao de Sátão], Vila Boa, Piódão [Arganil], Candal, Pêra do Moço, Poiares, Aldeia de Santo António, Sortelha e Vilarinho de Tarouca", afirmou Mário Silvestre, apontando que "estes fogos reúnem 3226 operacionais, 1110 meios terrestres e 13 aeronaves".
O comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil revelou que "ontem 68 operacionais foram assistidos, tendo sido a ocorrência mais grave uma fractura num membro inferior", demonstrando "a dificuldade que sentimos no combate às chamas". Foram ainda assistidos 42 civis, "um dos quais que está em estado grave, pois caiu numa zona quente e ficou com 30% do corpo queimado".
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