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Fogos

"Estamos todos muito esgotados." PM mantém confiança no dispositivo de combate aos fogos

18 ago, 2025 - 13:18 • Ana Kotowicz

"Está a ser dado o máximo por muita gente", disse Montenegro. Sobre o timing em que foi ativado o Mecanismo Europeu de Proteção Civil — e que tem sido alvo de críticas —, o chefe de Governo disse que o seu trabalho irá "ser escrutinado" e será então que se irá perceber se deveria ter sido ativado mais cedo, ou não.

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O Governo mantém confiança total no dispositivo de combate aos incêndios num momento em que se vivem "24 horas como não há registo", disse, esta segunda-feira, o primeiro-ministro. "Estamos todos muito esgotados", disse Luís Montenegro aos jornalistas, dizendo que se têm vivido "dias e dias de sofrimento". Além disso, o primeiro-ministro considerou que "as populações têm sido heroicas" na forma como têm feito frente às chamas.

"Está a ser dado o máximo por muita gente", disse Montenegro.

Sobre o timing em que foi ativado o Mecanismo Europeu de Proteção Civil — e que tem sido alvo de críticas —, o chefe de Governo disse que o seu trabalho irá "ser escrutinado" e será a posteriori que se irá perceber se deveria ter sido ativado mais cedo, ou não. De resto, defendeu que as decisões neste campo são tomadas com base em "critérios técnicos e operacionais".

O primeiro-ministro falava na sede da Proteção Civil, onde se dirigiu para acompanhar o ponto da situação feito pelo comandante nacional ao meio-dia desta segunda-feira. Já na sexta-feira, Luís Montenegro, ao lado do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa, tinha estado na Proteção Civil para se inteirar da situação.

Há operacionais a serem chamados a "vários locais ao mesmo tempo"

Relembrando que há uma cadeia de comando que procura dar resposta a todas as ocorrências, Montenegro frisou que há operacionais a serem chamados a "vários locais, ao mesmo tempo", muitos não conseguindo sequer cumprir os tempos de descanso e que, também por isso, merecem a "compreensão e o respeito de todos". O primeiro-ministro parecia querer responder assim às muitas críticas feitas por autarcas que dizem não ter apoio suficiente no terreno para combater os incêndios.

Montenegro recordou ainda um dos dados apontados pelo comandante nacional da Proteção Civil no briefing feito antes do encontro entre os dois. "Mais de 90% das ocorrências têm sucesso no chamado ataque inicial."

Apesar de muita gente estar sob pressão, disse o primeiro-ministro, e de haver uma parte do dispositivo mobilizado para os cenários mais complexos, "há muita outra componente que tem evitado muitos outros incêndios que, se não fossem atacados com esta prontidão nos primeiros 90 minutos, poderiam ter uma propagação igual, ou pior, do que aqueles que hoje nos preocupam mais".

Apelando a que se confie nos bombeiros, e nas forças de segurança em geral, Montenegro garantiu que "está a ser dado o máximo por muita gente" e que, com esse esforço, "estão a ser evitadas tragédias".

Maior dispositivo de sempre no terreno

Questionado sobre a ativação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, Montenegro começou por dizer que há uma "prevalência do dispositivo nacional" no combate aos fogos e que, neste momento, Portugal tem "o maior dispositivo de sempre" no terreno. Apesar disso, lembra que "os meios não são ilimitados" e que, numa altura de "grande aflição", irá sempre parecer que são precisos mais.

"Compreendemos as palavras de indignação", acrescentou, dizendo que em situações como a atual é preciso que haja uma "capacidade de solidariedade e unidade nacional".

Sobre o Mecanismo Europeu, em concreto, Montenegro reforçou que este tem regras próprias de funcionamento e que assenta na solidariedade entre os diferentes países. E, tal como já tinha dito antes, recordou que várias países europeus estão a braços com incêndios complexos. "Faremos no final a avaliação se o timing foi o correto, ou não", acrescentou, dizendo que a ativação deste mecanismo não pode depender nem do primeiro-ministro nem dos "palpites" de políticos. "Seguimos critérios técnicos e operacionais."

Luís Montenegro foi ainda confrontado pelos jornalistas com a sua aparente mudança de posição, quando se compara as suas declarações atuais com as que fez quando era líder da oposição, altura em que chegou a dizer a António Costa que devia pedir desculpa aos portugueses pelos incêndios de 2022.

"Respondo pelas minhas palavras em todos os contextos", perante o país e perante a Assembleia da Republica, começou por dizer o primeiro-ministro, mas alegando que "a severidade da situação atual que não tem paralelo no pais".

E concluiu: "Este é um combate do país. Estamos em guerra e temos de vencer esta guerra."

A situação de alerta no país foi prolongada até quarta-feira, explicou Mário Silvestre, comandante nacional da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), antes de o primeiro-ministro falar aos jornalistas e de ambos se reunirem — uma informação já tinha sido avançada pela ministra da Administração Civil, na véspera, numa conferência de imprensa em que não respondeu a perguntas de jornalistas.

Durante a tarde de segunda-feira, avançou ainda Mário Silvestre, chegam as duas aeronaves da Suécia que vão ajudar a combater os incêndios.

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