Incêndios: Agricultores ajudam agricultores e pedem rapidez nos apoios do Governo
25 ago, 2025 - 21:17 • Vasco Bertrand Franco
Confederação dos Agricultores de Portugal apelou esta semana à rápida chegada dos apoios aos agricultores afetados pelos incêndios que destruíram pastagens e culturas em várias regiões do interior do país, alertando para a necessidade de ação urgente e de coordenação entre organizações e Governo.
A Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) alerta para a urgência na chegada dos apoios aos agricultores afetados pelos incêndios que nas últimas semanas devastaram várias regiões do interior do país.
O setor agrícola enfrenta perdas significativas, com pastagens destruídas e animais sem alimento, tornando a recuperação das explorações uma tarefa difícil e imediata.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
Em declarações à Renascença, o secretário-geral da CAP, Luís Mira, explica como a solidariedade entre agricultores e organizações tem sido fundamental para apoiar as zonas mais atingidas.
“As pessoas estão a tentar encontrar soluções que têm de ser sempre soluções com alimento comprado ou dado, porque não há pasto. A CAP fez um apelo à solidariedade dos agricultores e ao apoio das organizações e já temos algumas dezenas de palha e de feno e de alimento que estamos a distribuir pelas zonas mais afetadas. Houve aqui uma grande sensibilidade por parte das organizações e dos agricultores. Houve até casos de agricultores que ajudámos o ano passado que agora foram eles que disseram: ‘este ano vamos ajudar’. Nós não temos aqui pastagens, mas vamos comprar feno e palha para apoiar aqueles que mais precisam.”
O secretário-geral da CAP alerta que, apesar do esforço de distribuição de alimentos, o tempo é essencial. A burocracia não pode atrasar a chegada de ajudas prometidas pelo Governo, sob pena de agravar ainda mais a situação dos agricultores.
“Que seja rápido na aplicação destas ajudas que prometeu e que não comece a empurrar de uns para os outros. Já estamos a ver logo no primeiro dia que há aqui um excesso de burocracia. Que os critérios a aplicar sejam critérios objetivos e que não venham aqui a criar também problemas. Com esta coisa da simplificação, às vezes, queremos simplificar coisas que não se podem simplificar. Às organizações o apelo que fazemos é que se unam para dar respostas rápidas, como já estamos a fazer e que, em conjunto, ultrapassaremos esta situação, como já ultrapassámos outras.”
CAP deixa críticas à UE
Luís Mira critica ainda a União Europeia por não implementar medidas concretas de combate aos incêndios e alerta para o impacto ambiental dos fogos, que libertam enormes quantidades de carbono para a atmosfera, anulando parte dos esforços na redução de emissões.
“A União Europeia tem uma grande preocupação com as emissões de carbono. Os Estados-membros, o orçamento comunitário e as empresas são obrigadas a fazer poupanças na emissão de carbono. Todo o dinheiro que se coloca para poupar emissões em carros elétricos, em bicicletas elétricas. Tudo isso fica completamente ultrapassado com estes milhares de toneladas de carbono que se emitem quando há fogos desta dimensão. O Governo português e os governos dos países mediterrâneos têm de, junto de Bruxelas, exigir ações conjuntas, medidas concretas para isto. Ter estas preocupações que o impacto sobre o carbono é muito superior.”
Para minimizar os efeitos dos incêndios, a CAP iniciou a distribuição de bens doados como rações, feno e palha aos agricultores mais afetados.
O cenário nas zonas rurais foi crítico, com perdas de culturas, destruição de pastagens e dificuldades em manter os animais em condições mínimas de sobrevivência. A CAP apelou à união das organizações e à ação rápida das autoridades para que os agricultores pudessem recuperar e continuar a produzir.
- Noticiário das 11h
- 12 jun, 2026







