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Lisboa

Elevador da Glória: seis feridos em estado crítico, maioria das vítimas são estrangeiras

04 set, 2025 - 18:16 • Daniela Espírito Santo , Diogo Camilo

Diretor Nacional da PJ admite vítimas mortais de origem sul coreana, suíça, alemã, canadiana, ucraniana e norte-americana. GPIAAF espera publicar relatório preliminar no espaço de 45 dias, mas sublinha que “os factos apurados ainda precisam de contexto”.

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[Notícia atualizada às 19h38 de 4 de setembro de 2025 para acrescentar mais declarações]

O diretor nacional da Polícia Judiciária, Luís Neves, adiantou, esta quinta-feira, as nacionalidades já conhecidas de algumas das vítimas mortais do acidente que, esta quarta-feira, vitimou 16 pessoas no Elevador da Glória, em Lisboa.

De acordo com Luís Neves, foi possível confirmar entre os mortos "cinco cidadãos portugueses, dois cidadãos sul coreanos, um elemento suíço" e, com "elevado grau de probabilidade", "um cidadão alemão, dois canadianos, um ucraniano e um norte-americano".

Faltam, assim, identificar três pessoas, mas o diretor da PJ acredita que tal seja possível "talvez ainda hoje".

"A nossa missão é trabalhar conjuntamente com o Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses para identificar plenamente estas pessoas para que os corpos possam ser devolvidos às famílias", esclarece o responsável.

Para ajudar nesta tarefa, adianta, foi "extremamente útil" a utilização da linha criada pela PJ para receber informações. "Logo nas primeiras horas recebemos mais de 200 chamadas", assume, adiantando que o número de telefone fornecido pelas autoridades "permitiu dar informação a familiares das vítimas, encaminhar essas pessoas e recolher informação útil para identificar as pessoas falecidas".

"Desde ontem que estamos em permanente contacto com o ministério dos Negócios Estrangeiros para agilizar a salvaguarda dos interesses dos familiares mortos", acrescenta, agradecendo a ajuda de "várias embaixadas em Lisboa", que têm facultado elementos que permitiram chegar rapidamente à identificação das vítimas estrangeiras.

Carruagem será alvo de peritagem, todas as autópsias já foram concluídas

Da parte do Instituto Medicina Legal, o presidente Francisco Corte Real lembrou que foi ativada a equipa de desastres de massa e que a delegação de Lisboa foi reforçada com funcionários do Porto, Coimbra e Tomar.

As autópsias iniciaram-se por volta da meia-noite desta quinta-feira e foram concluídas até ao início da tarde, com a perícia da última vítima mortal confirmada a ter sido concluída no final da tarde desta quinta-feira, de forma a “minorar o sofrimento das famílias”.

Na identificação das vítimas estiveram envolvidos 37 elementos, que foi feita através de impressões digitais, do perfil genético das vítimas ou através da fórmula dentária.

Falando a seguir, o diretor-geral do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), Nelson Rodrigues de Oliveira, refere que foram notificados pela Proteção Civil cerca de 50 minutos após o acidente.

Das 8h30 até às 13h00 desta quinta-feira foram procurados indícios no local em coordenação com outras entidades, com os destroços da carruagem a serem mobilizados para um local onde serão realizadas peritagens.

O GPIAAF irá realizar ainda entrevistas às pessoas envolvidas no caso e na manutenção do elevador, estando prevista a publicação de um relatório preliminar no espaço de 45 dias, com Nelson Rodrigues a sublinhar que “os factos apurados ainda precisam de contexto”.

Um dos feridos graves ainda não foi identificado

Álvaro Santos Almeida, do Serviço Nacional de Saúde, confirmou que o SNS recebeu "23 vítimas deste trágico acidente", sendo "13 feridos ligeiros e dez feridos graves".

"Infelizmente, um dos feridos graves acabou por falecer", acrescenta Santos Almeida.

Seis dos feridos graves estão nos Cuidados Intensivos e três estão a evoluir de "forma mais favorável".

"Todos os feridos ligeiros já tiveram alta", assegura, acrescentando que um dos feridos graves "ainda não foi identificado", bem como o ferido em estado crítico que acabou por falecer já no hospital, cuja identidade ainda é desconhecida.

Os restantes feridos são "três de nacionalidade portuguesa, um de nacionalidade alemã, um de nacionalidade sul coreana, uma senhora suíça, uma senhora cabo-verdiana e uma senhora marroquina". Já entre os feridos ligeiros há "várias nacionalidades", diz Santos Almeida, enumerando brasileiros, franceses e italianos, israelitas e espanhóis.

"As pessoas que continuam internadas estão a receber os melhores cuidados de que dispomos", assevera o responsável da direção executiva do Serviço Nacional de Saúde.

PJ promete celeridade na investigação, mas não se compromete com prazos

Já aos jornalistas, Luís Neves, da PJ, confirmou que já foram recolhidos todos os elementos periciais no local do acidente.

Questionado sobre a possibilidade de existir uma câmara no interior do elevador, o diretor da PJ, Luís Neves, adiantou que "todos esses elementos estão na posse" da Polícia Judiciária. "Naturalmente, esses e outros elementos de idêntica tipologia serão vistos à lupa para podermos perceber e ter um contributo para encontrarmos uma explicação para o que aconteceu", acrescentou, sem dar mais detalhes.

A locomotiva acidentada vai ficar na posse da Polícia Judiciária.

Neves promete celeridade na investigação, mas não se compromete com prazos. "Precisamos de dar uma resposta e queremos dá-la no mais curto espaço possível, mas com toda a segurança que todos os casos de investigação criminal exigem", respondeu, ao ser questionado durante a conferência de imprensa, garantindo que a PJ tudo fará para chegar a conclusões assim que possível.

"Muita gente morreu, é um momento difícil para todos e colocamos no terreno todas as valências para podermos obter essa resposta", assegura.

GPIAAF também só se compromete com prazo do relatório preliminar. Relatório final "vai depender dos meios"

Respondendo à mesma pergunta, o diretor-geral do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), Nelson Rodrigues de Oliveira, confirmou só existir no gabinete um investigador especializado na área ferroviária, pelo que, adianta, o organismo terá de recorrer, igualmente, a "peritos externos".

Por isso mesmo, diz, só se compromete "com os 45 dias do relatório preliminar". "O prazo para a realização do relatório final vai depender dos meios com que o GPIAAF for dotado no entretanto", avisa.

Ainda esta quarta-feira, teria assegurado que espera desde março por uma autorização do Governo para admitir mais um técnico mas, mesmo que tal acontecesse hoje, tal não resolveria o problema "no imediato". "Um investigador, para ser formado, necessita de dois anos", explica, pedindo, no entanto, para não se alongar no assunto porque, "não é o momento nem o local".

"Tenho a convicção de que, seguramente, o Estado português irá dotar muito brevemente o GPIAAF com os meios que necessita", concluiu, "porque o respeito às vítimas assim o exige".

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