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Especialista diz que "falha catastrófica” esteve na origem do acidente do Elevador da Glória

04 set, 2025 - 08:51 • Sérgio Costa , Olímpia Mairos

Carlos Oliveira Cruz, especialista em planeamento e gestão de transportes e professor no Instituto Superior Técnico, defende que a investigação ao acidente “vai ter que rever tudo aquilo que foi a atividade de manutenção e inspeção realizada nos últimos anos”. Estes sistemas, diz, "têm uma lógica de funcionamento muito distante daquilo que são os níveis de utilização e de carga que se verificam hoje em dia".

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Na origem do acidente com o Elevador da Glória esteve “uma falha catastrófica”, afirma, na Renascença, Carlos Oliveira Cruz, especialista em planeamento e gestão de transportes e professor no Instituto Superior Técnico (IST).

O especialista sublinha que, embora seja comum surgirem pequenos problemas nestes sistemas - que podem levar a paragens de um a três dias - "não é normal nem expectável a ocorrência de uma falha como a registada neste acidente”.

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Carlos Oliveira Cruz antevê uma investigação demorada que exigirá diligências técnicas profundas, incluindo recolha e análise de materiais, de modo a determinar com precisão quais os componentes que falharam.

“Diria que, neste caso, houve, provavelmente, falha simultânea de vários sistemas. Isto é, mesmo que ocorra uma falha catastrófica, este tipo de ascensores deve ter sistemas redundantes, sistemas de emergência que garantam a imobilização das viaturas, para evitar, precisamente, tragédias como a que se verificou ontem”, alerta.

O professor do IST adverte que este tipo de veículos funcionam com sistemas centenários, facto que exige manutenções mais profundas e inspeções mais frequentes, especialmente perante o aumento da procura turística.

“São sistemas que, apesar de todos os melhoramentos que vão sendo introduzidos, têm uma lógica de funcionamento muito distante daquilo que são os níveis de utilização e de carga que se verificam hoje em dia, sobretudo com o crescente dinamismo que tem tido a atividade turística, e os turistas são uma das principais fatias da procura destes elevadores. Naturalmente que isto obriga a manutenções mais profundas e inspeções mais periódicas”, defende.

Na perspetiva de Carlos Oliveira Cruz, a investigação terá de rever todo o histórico de manutenção e inspeções realizadas nos últimos anos.

“Vai ter que haver uma inspeção, uma peritagem mais técnica, para se perceber, de facto, o que é que ocorreu. Por muito que se fale do cabo que partiu ou que se desconectou, vamos precisar, do ponto de vista técnico, de perceber exatamente o que aconteceu: se foi uma rotura, enfim, se foi um problema de fadiga, se foi um problema de excesso de carga...”, explica.

Carlos Oliveira Cruz reforça que será necessária “muito mais informação técnica aprofundada para perceber o que é que falhou do ponto de vista técnico nos equipamentos e, depois, perceber, do ponto de vista das ações de manutenção e inspeção, o que é que falhou na deteção e ação atempada de uma falha com estas características”.

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