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Transportes

Manutenção do Elevador da Glória incluía inspeção diária do cabo de tração

04 set, 2025 - 15:51 • João Pedro Quesado

Contrato de manutenção terminou a 31 de agosto de 2025, e Carris indica que celebrou um ajuste direto para compensar cancelamento do novo concurso. Mas o ascensor da Carris foi alvo de inspeção no dia do acidente.

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O plano de manutenção do Elevador da Glória incluía a verificação diária do cabo de tração, um dos elementos apontados inicialmente como potencial causa do acidente, esta quarta-feira, do histórico ascensor da Carris.

Segundo o caderno de encargos do contrato de manutenção que terminou a 31 de agosto de 2025, os ascensores do Lavra e da Glória tinham um plano de manutenção diária, semanal, mensal e semestral.

O plano de manutenção diária inclui não só a verificação do cabo de tração como a limpeza e lubrificação do pantógrafo (mecanismo montado no topo que recebe a alimentação de energia elétrica), a verificação da carga das baterias e a inspeção visual de correntes e ferragens dos bogies (o nome dado aos conjuntos das rodas no material ferroviário).

Em 2018, o Público noticiou um descarrilamento do Elevador da Glória, sem feridos. O acidente de então deveu-se à inexistência da saliência que deve estar presente no interior das rodas dos veículos ferroviários, assegurando que as rodas são guiadas pelo carril.

O Elevador da Glória foi, de acordo com a SIC Notícias, alvo de inspeção entre as 9h13 e as 9h46. O relatório da empresa indica que faltavam 263 dias para a mudança do cabo de tração, indicando ainda um período de 600 dias para essa troca.

Ascensor teve reparação intermédia em 2024

O relatório da MNTC, empresa que teve o contrato de manutenção entre 31 de agosto de 2022 e 31 de agosto de 2025, indica ainda que o ascensor tinha todas as condições para a operação. É ainda apontada a conformidade das correntes e ferragens dos bogies, dos carris, da rede aérea, e do cabo de equilíbrio.

A inspeção do cabo de equilíbrio é efetuada através da descida de um técnico ao fosso onde passa o cabo, durante a qual o ascensor deve fazer uma viagem completa, para permitir a observação de todo o cabo. O documento indica que se deve "parar de imediato" no caso de haver "fios partidos". Os dois carros do elevador estão ligados às extremidades do cabo, com uma roldana de grandes dimensões na parte superior do traçado, na Rua de São Pedro de Alcântara.

Segundo o caderno de encargos do contrato de manutenção, "em condições normais de funcionamento, o cabo é substituído após 1500 dias de trabalho e/ou em cada reparação intermédia e geral". O relatório e contas de 2024 da Carris indica que a reparação intermédia do ascensor da Glória foi efetuada no ano passado, tal como já tinha indicado o presidente da Carris.

O plano especificado pelo caderno de encargos estipula que a manutenção semanal deve incluir a verificação de componentes como a válvula do guarda-freio, os depósitos de ar e cancelas, e uma purga do compressor, entre outras tarefas. No caso da manutenção mensal, é acrescentada a verificação do motor de tração.

A manutenção semestral, mais exigente, inclui a limpeza do canal do cabo de tração e a lubrificação da guia das roldanas.

O Portal Base, onde são publicados os procedimentos de contratação pública, não tem nenhuma informação sobre um novo contrato de manutenção dos ascensores da Carris. Segundo o jornal ECO, o concurso para um novo contrato foi cancelado pela Carris a 14 de agosto, por todas as propostas terem ficado acima do valor definido para o contrato.

Na conferência de imprensa na tarde desta quinta-feira, Pedro Bogas, presidente da Carris, revelou que foi celebrado um ajuste direto a 22 de agosto com a mesma empresa, a MNTC, por cinco meses, para fazer a ponte até à conclusão de um novo concurso público.

[notícia atualizada às 16h41 com novas informações da Carris sobre o contrato de manutenção]

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