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Relatório da OCDE

Professores ganham mais que outros diplomados do ensino superior, mas perderam poder de compra

09 set, 2025 - 11:11 • Lusa

"Em Portugal, os salários dos professores do ensino primário (equivalente aos 1.º e 2.º ciclos) são 28% superiores aos dos trabalhadores com formação superior", refere o relatório".

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Os professores portugueses têm salários mais elevados do que a média dos trabalhadores com formação superior, mas perderam poder de compra na última década, segundo um relatório da OCDE divulgado esta terça-feira.

"Em Portugal, os salários dos professores do ensino primário (equivalente aos 1.º e 2.º ciclos) são 28% superiores aos dos trabalhadores com formação superior", refere o relatório "Education at a Glance 2025", da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

A edição mais recente do relatório anual, com estatísticas sobre os sistemas educativos dos 38 Estados-membros, mostra que Portugal é um dos poucos países onde os professores ganham, em média, mais do que outros diplomados do ensino superior.

Em situação idêntica estão apenas Peru, Costa Rica e Roménia, mas o relatório aponta uma possível explicação: "A percentagem de professores com mais de 50 anos aumentou significativamente em Portugal (de 31% em 2013 para 56% em 2023) e, consequentemente, uma grande parte dos professores pode estar mais próxima do topo da carreira".

De acordo com os dados da OCDE, em 2024, um professor (entre os 25 e 64 anos) ganhava cerca de 50.083 euros anuais, num cenário em que o salário estatutário de um docente no topo da carreira rondava os 74.378 euros, e cerca de 35.178 euros no início da carreira.

A análise feita pela OCDE mostra, no entanto, que apesar da aparente vantagem em relação aos restantes trabalhadores com formação superior, os professores perderam poder de compra na última década e a carreira tornou-se, em particular, menos atrativa para aqueles que estão a começar.

No ano passado, a que se referem os dados mais recentes, o salário real de um professor com 15 anos de experiência tinha caído 4% em relação a 2015, mas a diferença é maior entre os docentes no início da carreira, cujo poder de compra diminuiu 10% em nove anos.

Por outro lado, num contexto em que o salário médio de um professor aumentou 14,6% no mesmo período na média dos países da OCDE, em Portugal diminuiu 1,8%.

No relatório divulgado esta terça-feira, a OCDE volta a chamar à atenção para a crescente falta de professores, um problema comum na maioria dos estados-membros e ao qual Portugal não é exceção.

Entre 2018 e 2022, a percentagem de diretores escolares que consideram que o ensino é prejudicado pela falta de docentes aumentou mais de 30 pontos percentuais e o relatório alerta que o envelhecimento da classe docente poderá agravar as carências num futuro próximo.

Em Portugal, as respostas ao problema têm passado também por facilitar a contratação de professores com habilitação própria, ou seja, docentes que têm formação na área científica das disciplinas, mas não têm habilitação profissional, conferida por mestrados em ensino. .

Em resultado, entre os anos letivos 2014/2015 e 2022/2023, a percentagem de docentes sem habilitação profissional passou de 1,6% para 6,5%.

Há um ano, a OCDE já recomendava a valorização da carreira e dos salários dos professores para fazer face à falta de profissionais. Volta agora a insistir: "Salários competitivos podem tornar a profissão docente mais atrativa".

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