Ensino Superior
FAP monta parque de campismo para reivindicar mais oferta de camas públicas
10 set, 2025 - 15:06 • Rita Vila Real
As 18 tendas instaladas na Avenida dos Aliados representam as 18 mil camas públicas que faltam aos estudantes universitários por todo o país.
Mesmo com a chuva, um verdadeiro parque de campismo ocupou a Avenida dos Aliados, no Porto, para protestar contra a falta de alojamento público para estudantes. A Federação Académica do Porto montou esta quarta-feira uma ação de protesto para reivindicar a falta de alojamento público para os estudantes do Ensino Superior.
A sigla do Plano Nacional para o Alojamento no Ensino superior, o PNAES, ganha um novo significado: O "Parque Nacional de Acampamentos do Ensino Superior".
São 18 tendas, cada uma representa "mil camas que ficaram por cumprir deste PNAES", como refere Francisco Porto Fernandes, presidente da FAP. O protesto que a FAP organizou "é um protesto simbólico que tem o objetivo de chamar a atenção não só ao poder político, mas também às próprias instituições do Ensino Superior para a necessidade de investirem no alojamento estudantil, porque este, sim, é o principal entrave à frequência do Ensino Superior".
"O que nós queremos passar é que, realmente, com camas a 400, 500 euros, é impossível, nós termos igualdade de oportunidades no Ensino Superior", diz Porto Fernandes.
Das dezenas de estudantes que se juntaram ao protesto pacífico, alguns deles sentem na pele a necessidade de encontrar alojamento, como é o caso de Rodrigo Ribeiro, um jovem de 21 anos de Águeda que escolheu o Porto para estudar. Durante o seu percurso académico, já esteve numa residência estudantil, que era "praticamente a única opção que existia e a pagar preçoscompletamente exorbitantes", como lamenta o jovem. Atualmente, o estudante está a alugar uma casa com um colega, e diz que paga "mais de 500 euros".
Ribeiro diz que o esforço financeiro compensa pela experiência, não só "para que as pessoas se formem, mas também pelo valor humano que cria", e reflete que "é muito ingrato algumas pessoas não terem esta oportunidade apenas por não poderem arranjar um quarto".
A FAP pede "mais ambição" para entregar mais camas aos estudantes universitários, num cenário em que "estamos apenas com uma taxa de execução do Plano Nacional de Alojamento do Ensino Superior de 13%". Um número que Francisco Porto Fernandes diz que "nos envergonha enquanto país" e que tem de levar a uma reflexão sobre a dependência nos fundos europeus: "Um problema destes não pode ficar apenas dependente de fundos europeus. O PNAES está financiado a 90% pelo PRR e precisa também de fundos próprios".
O presidente da FAP deixa ainda críticas às instituições de Ensino Superior, que "também não se podem sempre ficar abaixo da culpa do Governo e à sombra da responsabilidade do Poder Central, mas também as próprias, investirem fundos próprios na igualdade de oportunidades", através de "parcerias com o setor privado, social e cooperativo e as próprias instituições, muitas delas com saldos milionários".
No protesto, várias associações de estudantes da Academia do Porto estiveram presentes para mostrar apoio ao protesto. João Grabulho da Associação de Estudantes da Escola Superior de Enfermagem do Porto, diz que os estudantes estão "numa luta significativa contra o insucesso que está a acontecer face ao cumprimento PNAES". O vice-presidente da associação lembra que "temos estudantes, com a receita da queima das fitas, a conseguir dar mais camas do que temos visto a serem construídas e a serem disponibilizadas por quem as promete em si".
O protesto ocorreu entre as 9h e as 12h desta quarta-feira, e levou à Avenida dos Aliados vozes de protesto que pedem mais camas para o ensino superior.
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