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Navio russo na "lista negra" esteve à deriva ao largo de Portugal

17 set, 2025 - 18:47 • Daniela Espírito Santo

Marinha confirma que cargueiro, objeto de sanções internacionais e proibido de atracar em portos europeus, teve "avaria na propulsão" no final de agosto e teve de ser rebocado a 16 milhas da Póvoa do Varzim.

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Um navio russo esteve à deriva ao largo de Portugal no final de agosto. A informação foi originalmente avançada pelo jornal Expresso e confirmada, esta quarta-feira, à Renascença pela Marinha Portuguesa.

Trata-se do navio russo "Adler", objeto de sanções internacionais e proibido de atracar em portos europeus, pois, e apesar de ser um cargueiro de transporte de carros, terá sido utilizado para transporte de material militar. Consta mesmo da "lista negra" do Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros, do Departamento do Tesouro dos EUA. O seu percurso foi confirmado pela Marinha, que também facultou uma infografia da passagem do "Adler" pela costa portuguesa.

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"A Marinha confirma que, entre 27 de agosto e 2 de setembro, o navio mercante 'Adler', pertencente à NB Shipping Company Limited e com registo na Federação Russa, transitou ao largo da zona económica exclusiva [ZEE] de Portugal Continental", começa por responder, por email, Ricardo Sá Granja, porta-voz da Marinha e da Autoridade Marítima Nacional.

O navio em questão, explica o porta-voz, transitou "de norte para sul" na zona da ZEE portuguesa, considerada "alto-mar" e "começou a derivar em direção à terra". No entanto, e como garante a Marinha, nunca entrou "em águas territoriais portuguesas", onde já estaria "sujeito à soberania nacional". Ou seja, no fundo, o "Adler" nunca chegou a entrar em território português, pois a ZEE "não está sujeita à soberania do Estado costeiro", apenas é território português no que concerne à sua "exploração económica".

Perante o cenário, o navio foi contactado pelo Centro de Operações Marítimas e, nessa altura, comunicou "uma avaria na propulsão".

"Neste quadro, de forma a preservar a segurança da navegação e a minimizar os riscos ambientais, decorrentes de um eventual incidente de poluição no mar, o navio foi instado a contratar serviços de reboque, para evitar uma situação de navio desgovernado, que poderia fazer perigar a navegação e a costa portuguesa", assegura Ricardo Sá Granja, que adianta que "o comandante do navio agiu sempre de forma cooperante".

Dois dias depois, o "Adler" foi rebocado por um rebocador de alto mar espanhol "a cerca de 16 milhas a oeste da Póvoa do Varzim", sem "nunca ter entrado em águas territoriais portuguesas". Acabou por sair da ZEE nacional a "2 de setembro" pelo limite leste, no Algarve e está agora "atracado em Orão, na Argélia".

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