25 set, 2025 - 05:30 • Rita Vila Real
O festival de marionetas "Fora dos Eixos" promete, a partir desta quinta-feira, em Santa Maria da Feira, "uma viagem que vai da tradição até ao contemporâneo", cruzando diferentes técnicas e tecnologias de manipulação de marionetas.
O diretor artístico do festival, Rui Sousa, destaca, em declarações à Renascença, que a edição de 2025, que se estende até domingo, oferece ao público "três linguagens tradicionais" do teatro de marionetas e "apresenta-as quase em simultâneo ao público".
"Vamos ter o teatro tradicional de marionetas da Inglaterra, que é o Mister Punch and Judy, e vamos ter o teatro tradicional português de marionetas, o Teatro D. Roberto, e também marionetas tradicionais do Brasil, o Teatro Mamolengo", detalha.
"Há uma escultura que está imóvel, fora de cena, e quando entra em cena ganha vida. O marionetista empresta-lhe a alma e toda a gente centra o seu olhar, os seus ouvidos e o seu coração naquele objeto que está a ser trazido à vida", descreve Rui Sousa o momento de interação "mágico" vivido nos espetáculos.
A escolha dos espetáculos revela-se "um rastreio muito preciso para os espetáculos que vêm provocar toda uma catadupa de emoções e de cativar o público do princípio ao fim".
A imagem e os temas abordados são alguns fatores que impulsionam "a magia da marioneta, que é a coisa mais incrível que há".
O festival, já na sua oitava sua oitava edição, que vai decorrer no Centro Cultural de Milheirós de Poiares, já viveu "vários processos" de recepção do público e regista agora a presença "de um público muito fiel" que corporiza o objetivo de "desmistificar um pouco aquela linguagem das marionetas serem para as crianças".
A programação quer juntar "todas as idades", num festival para espetadores "dos três aos 103 anos de idade", salienta o diretor artístico.
Nos primeiros dois dias do festival, a programação é mais direcionada ao público escolar pelas mãos de duas companhias de teatro, uma nacional, e outra italiana.
O espetáculo português, chamado "Não estou sim" aborda "o tema dos telemóveis, da ausência do amigo e a presença do telemóvel". Já a companhia italiana dedica a sua atuação "ao coração, ao amor, o saber lidar com o amor, com as expectativas, com a frustração, com a felicidade. É uma viagem em redor dos sentimentos", salienta Rui Sousa.
Para o público geral, "A Peregrinação" junta "a tradição à modernidade" com "uma projeção em tempo real com marionetas" para retratar "a viagem do Fernão Mendes Pinto", no sábado à noite, como refere Sousa, que fala do único espetáculo pago do evento.
Aos espetáculos junta-se também um workshop de construção de marionetas "com elementos de cortiça", assim como a exposição "A Marioneta como Companheira - Um Caminho de 30 anos", com curadoria do coletivo Fio D’Azeite.