IGAS admite relação entre greve no INEM e morte de utente em Mogadouro
25 set, 2025 - 18:12 • Ricardo Vieira
"O atraso no atendimento telefónico por parte do CODU poderá ter tido uma influência significativa no desfecho final da vítima", refere a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde.
O atraso no socorro devido à greve no INEM pode ter sido fatal para um utente de 84 anos, que morreu a 2 de novembro do ano passado, em Mogadouro, Bragança, conclui a Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS), em resposta ao jornal Público.
A IGAS admite que a demora no atendimento por parte do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) do Porto poderá ter tido impacto no desfecho do caso.
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"O atraso no atendimento telefónico por parte do CODU poderá ter tido uma influência significativa no desfecho final da vítima, após ter ocorrido uma situação de engasgamento, constituindo-se como um fator contributivo relevante para o desenvolvimento de encefalopatia hipóxica, seguida de óbito", refere a IGAS.
Mais de metade das chamadas para o INEM abandonadas no dia da greve com maior impacto
Do total de 7.326 chamadas desse dia, 2.510 foram (...)
A IGAS considera que existe indício disciplinar na atuação do médico regulador do CODU, "por não ter agido de forma diligente e zelosa aquando do acionamento dos meios diferenciados de emergência médica".
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde arquivou o processo e sublinhou que um eventual processo disciplinar terá de ser aberto pelo INEM, por se tratar de um médico com contrato individual de trabalho por tempo indeterminado.
As conclusões da IGAS foram enviadas ao conselho diretivo do INEM, ao Ministério Público, à Unidade Local de Saúde do Nordeste, à Ordem dos Médicos e ao Ministério da Saúde.
O caso de Mogadouro é o último de 12 inquéritos da IGAS a mortes ocorridas durante a greve dos técnicos do INEM de 31 de outubro, 2 e 4 de novembro de 2024.
O Ministério Público tem seis inquéritos em investigação.
Mais de metade das 7.326 chamadas feitas para o INEM a 4 de novembro de 2024, o dia da greve de técnicos que teve maior impacto na atividade do instituto, foram abandonadas, concluiu a IGAS, num relatório divulgado em junho deste ano.
A greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar (TEPH) às horas extraordinárias, que arrancou em 30 de outubro por tempo indeterminado, coincidiu com a paralisação geral da administração pública, convocada para 4 de novembro, dia que a IGAS considerou ter sido o que provocou "maior perturbação na atividade dos CODU".
- Noticiário das 18h
- 06 jun, 2026









