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Sustentabilidade

Maior parte do desperdício alimentar em Portugal é produzido pelas famílias

25 set, 2025 - 08:44 • Lusa

Compras de comida, armazenamento de alimentos e confeção são "momentos críticos em que se concentra o desperdício nas casas", indica o estudo da empresa "Too Good To Go". Dos 700 inquiridos, 22% dos consumidores não planeia as compras para casa.

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Estudo da empresa "Too Good To Go" anuncia que a maior parte do desperdício alimentar em Portugal é produzido pelas famílias, a propósito do dia internacional da consciencialização sobre perdas e desperdício alimentar que se assinala na segunda-feira.

Os agregados familiares "concentram a maior parte das perdas (67%), o que mostra a importância de apoiar as famílias com informação e soluções práticas para transformar hábitos do quotidiano", refere esta empresa que comercializa comida excedente de restaurantes, super e minimercados a um preço reduzido.

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A partir de um estudo com 700 pessoas inquiridas, "os três momentos críticos em que se concentra o desperdício nas casas" são as compras de comida, o armazenamento de alimentos e a confeção.

De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, foram desperdiçadas 1,93 milhões de toneladas de alimentos em 2023, um aumento ligeiro de 0,3% face a 2022. Segundo a "Too Good To Go", muitos consumidores são atraídos pelas promoções (41%) ou por embalagens de grandes dimensões (29%).

A "Too Good To Go" refere ainda que nem todos os consumidores planeiam as compras, sendo que 22% dos cidadãos não usa listas, 31% compra por impulso e 60% adquirem produtos "por precaução".

Os hábitos podem levar à acumulação de alimentos que vão ser descartados. Em relação ao armazenamento de comida, 61% dos inquiridos procuram organizar os alimentos, ainda que muitos reconheçam que não dominam as melhores formas de conservação.

No momento da confeção da comida, 32% dos consumidores admitiu ter dificuldade em calcular porções, cerca de três em cada 10 não sabem como aproveitar integralmente os alimentos e 28% referem a falta de tempo para cozinhar.

De acordo com a "Too Good To Go", das pessoas inquiridas, 83% dos portugueses defendem que o desperdício alimentar é "um problema bastante preocupante", sublinhando que 90% apoiaria uma lei contra o desperdício.

"Existe uma forte consciência social e ambiental, acompanhada por uma vontade real de mudança", refere a empresa. Os dados mostram que o desperdício alimentar em casa não resulta da falta de preocupação dos cidadãos, mas de hábitos do quotidiano que podem ser repensados e transformados com informação prática e soluções acessíveis, segundo o estudo.

Para a "Too Good To Go", as soluções para o problema passam por planear as compras e aproveitar melhor os alimentos, para que as intenções se transformem em hábitos do dia-a-dia.

A empresa dinamarquesa fundada em 2016 alertou ainda para a necessidade de combater o desperdício alimentar destacando que quase 40% de toda a comida produzida no mundo nunca é consumida, enquanto 673 milhões de pessoas vivem em situação de fome.

A aplicação chegou a Portugal em outubro de 2019 e a comida dos estabelecimentos é vendida a um preço, entre 30% e 50% mais barato do que o original, sendo que a aplicação tem mais de dois milhões de utilizadores e mais de 4.000 parceiros.

A "Too Good To Go" diz que já salvou mais de 6,5 milhões de "Surprise Bags" (embalagens de alimentos que não são vendidos pelos estabelecimentos) por todo o país, o equivalente à emissão de 17.500 toneladas de CO2e, disse à Lusa o diretor Interino da empresa em Portugal, Tiago Figueiredo.

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