Educação
Palavrões e empurrões: professores denunciam mau comportamento nas salas de aula
25 set, 2025 - 06:00 • João Maldonado
A Missão Escola Pública é ouvida esta quinta-feira na Assembleia da República. Movimento denuncia comportamentos que põem em causa a segurança e o bem-estar dos professores, tanto por parte de alunos como de diretores. Soluções propostas passam por mais vigilantes e por um gabinete jurídico de apoio nas autarquias.
Há comportamentos de alunos a passar os limites do admissível. É esta a posição com que a Missão Escola Pública (MEP) vai apresentar na audição no Parlamento, marcada para esta quinta-feira, às 14h00.
O movimento acusa estudantes de "chamarem nomes" e de dizerem "palavrões" dirigidos aos professores. São também denunciados casos de agressão física, que começam com um "não acatar ordens", passam pela "ameaça" e chegam aos "empurrões".
Segundo um estudo divulgado pelo MEP no início deste ano e que contou com a participação de mais de 2.500 profissionais, 59% dos docentes já se sentiram vítimas de bullying no exercício da profissão. Destes: 57,2% dizem ter sido vítimas de agressões verbais e psicológicas de alunos e 53,5% por parte de pais ou encarregados de educação. 9,5%, praticamente o equivalente a 1 em cada 10, afirmam ter sido vítimas de agressões físicas.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
Um total de 43% dos inquiridos garantem ter sofrido coação, sendo que 59% desses casos são atribuídos às direções das escolas.
Temos tido as greves e existiram diretores que marcaram, por exemplo, faltas injustificadas ou que de algum modo exercem pressão no que diz respeito à avaliação dos alunos para que o professor dê as notas que a escola entende que vão valorizar aquela mesma escola - o mesmo da parte dos encarregados de educação", explica, em entrevista à Renascença, Cristina Mota, responsável pelo movimento.
Missão Escola Pública
Mais de metade dos professores sabe na pele o que é "bullying"
Resultados do inquérito revelam que o "bullying" d(...)
Entre todos estes casos, que vão desde comportamentos de alunos a diretores das escolas, a Missão Escola Pública diz que apenas 18% são reportados às autoridades através do programa Escola Segura. A percentagem é considerada manifestamente insuficiente na comparação entre os casos "que são vividos e aqueles que chegam à Justiça".
Entre as propostas que vão ser levadas à Assembleia da República, a organização destaca duas: o apelo para as escolas serem reforçadas com mais 500 vigilantes e a criação de "um gabinete jurídico de apoio a estas situações - não nas escolas, mas nas autarquias".
Outro tema que o movimento quer ver debatido esta quinta-feira passa pelas diferenças que diz existir entre o sul e o norte do país: "Algo que a sul neste momento já não vai tendo lugar tendo em conta a falta de professores são aulas divididas em turnos ou tempos suplementares para as disciplinas de exame".
- Noticiário das 17h
- 22 jul, 2026







