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Pedido de indemnização

Joana Marques absolvida no processo movido pelos Anjos

03 out, 2025 - 09:50 • Liliana Monteiro , Raul Santos , João Pedro Quesado

Defesa confirma veredicto de absolvição integral da humorista. Irmãos Nelson e Sérgio Rosado garantem nunca ter tido "como objetivo limitar a liberdade de expressão" e, apesar de não concordarem com a decisão, asseguram "seguir em frente".

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O juízo central cível de Lisboa absolveu a humorista Joana Marques no processo que lhe foi movido pelos irmãos Nélson e Sérgio Rosado, membros da banda Anjos. Os cantores pediam mais de um milhão de euros de indemnização.

A defesa da humorista confirmou à Renascença o veredicto de "absolvição integral" no caso Anjos vs Joana Marques. Em causa estava a publicação de um vídeo, nas redes sociais de Joana Marques, sobre a prestação da dupla a cantar a hino nacional no início do Grande Prémio de Portugal de MotoGP, no Autódromo Internacional do Algarve, em 2022.

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A sentença do tribunal aponta que Joana Marques publicou o vídeo dentro da liberdade de expressão e sem atingir a ofensa pessoal a Nelson e Sérgio Rosado.

O tribunal decidiu ainda que Joana Marques não tinha de conhecer os erros técnicos da transmissão da atuação (que são apontados como causa dos prejuízos alegados pelos Anjos), nem é responsável pelos comentários gerados pela publicação.

A Renascença contactou a produtora executiva dos Anjos, solicitando uma entrevista à dupla de cantores ou à equipa das advogadas de defesa, mas a resposta foi negativa.

O julgamento durou menos de um mês. Quando arrancou a 17 de junho, a humorista dizia ter “muito para dizer” e lamentou “estar a fazer [o tribunal] perder tempo”, afirmando que “o tempo do tribunal, se calhar, poderia ser um bocadinho mais bem aproveitado para outras questões”.

Os Anjos remeteram-se, então, ao silêncio à entrada do tribunal. Na sala de audiências, o cenário acabou por ser outro, com os dois irmãos a falarem e a humorista a deixar as suas declarações para a reta final.

"Somos acusados de assassinar o hino. Nós não nos enganámos no hino e muito menos somos assassinos", explicaram ao tribunal os irmãos Rosado, acrescentando que "o vídeo não é uma reprodução daquilo que foi feito, mas sim um vídeo novo, porque cortou partes daquilo que foi a nossa interpretação."

Anjos afirmam nunca ter tido "como objetivo limitar a liberdade de expressão"

Os irmãos Nelson e Sérgio Rosado garantem que o processo movido contra Joana Marques "nunca teve como objetivo limitar a liberdade de expressão e muito menos o humor, mas sim defender aquilo que é justo — a nossa honra e a nossa dignidade como pessoas e artistas."

"Sempre dissemos que respeitamos e acreditamos na justiça, mesmo em decisões como a de hoje, com a qual não concordamos", afirmam os Anjos em comunicado, enviado à Renascença pouco depois de ser conhecida a decisão, acrescentando que "a Justiça falou agora com serenidade e seguimos em frente".

Os dois irmãos dizem ter defendido "sempre" a "seriedade, profissionalismo e respeito pelo público" nos "mais de 25 anos de carreira", e prometem ser "essa linha" que vão "continuar a defender, apesar das adversidades".

"É isso que vamos continuar a fazer depois desta decisão e mesmo que da outra parte, não tenha havido respeito pelo nosso trabalho e, ainda mais importante, pelas pessoas que trabalham connosco e que lutam pelo sucesso do nosso projeto", comentaram Nelson e Sérgio Rosado, agradecendo aos "fãs, amigos e familiares" pelo apoio "durante este período exigente e duro".

"A nossa música e ligação ao público estão acima de qualquer polémica. Continuaremos focados naquilo que sabemos fazer: cantar, emocionar e estarmos próximos de quem acredita no poder da música, de quem acredita que todos os dias, devemos despertar a melhor versão de nós próprios, com empatia e coragem", terminam os Anjos.

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