08 out, 2025 - 15:11
O ministro da Educação afirmou hoje que "é um erro" os estudantes do ensino superior focarem as suas manifestações nas propinas, sublinhando que esse não é o principal custo de quem frequenta uma universidade ou um politécnico.
Em declarações aos jornalistas em Braga, à margem da sessão comemorativa dos 25 anos da Escola de Medicina da Universidade do Minho, Fernando Alexandre adiantou que no próximo ano letivo estará a funcionar um novo modelo de ação social para garantir que nenhum aluno fique de fora do ensino superior por razões económicas.
"É um erro dos estudantes o foco nas propinas, porque as propinas não são o principal custo, e aquilo que nós temos de garantir é que os estudantes que não tenham condições económicas têm uma bolsa que suporta os custos do alojamento, do estudar e também das propinas, isso é que é importante", afirmou.
Os estudantes da Universidade do Minho convocaram para hoje uma manifestação contra o aumento das propinas, reivindicando a gratuitidade do ensino superior, maior investimento público e reforço do alojamento estudantil e da ação social escolar.
"Os estudantes têm todo o direito a manifestar-se, mas eu tenho-lhes dito que as propinas não são a questão mais importante do nosso sistema. Há muitas razões para injustiça, para desigualdade no ensino superior e no sistema educativo como um todo", reagiu Fernando Alexandre.
O ministro considerou mesmo que "reduzir as propinas é que é aumentar a desigualdade em Portugal".
"Porque quem tem acesso aos cursos com maior empregabilidade são os estudantes das famílias dos estratos socioeconómicos mais favorecidos, e aqueles que não são têm ação social", explicou.
Para o Governo, o caminho passa por reforçar a ação social, com um novo modelo que até dezembro estará concluído e estará a funcionar no próximo ano letivo.
"Nós vamos reforçar a ação social e, por isso, o foco do protesto, do meu ponto de vista, está errado, mas obviamente os alunos têm toda a legitimidade para protestar", acrescentou.
Lembrou que vai haver um aumento de 11 mil camas para estudantes no próximo ano e que, na ação social, já foi anunciado um reforço de 30 milhões de euros.
O ministro da Educação afirmou ainda que o Governo está a tomar medidas para valorizar e tornar mais atrativa a profissão de professor e, assim, garantir a substituição dos que, entretanto, vão passar à reforma.
Em declarações aos jornalistas, Fernando Alexandre apontou que 60% dos professores atualmente no ativo em Portugal se vão reformar nos próximos 15 a 20 anos.
"Durante décadas, vamos precisar de formar professores, porque nós vamos ter 60% dos professores a reformarem-se nos próximos 15, 20 anos, o que é uma mudança muito rápida e que exige um reforço muito grande da capacidade de formação", referiu.
Nesse sentido, acrescentou, o Governo vai contratualizar com as universidades e os politécnicos "as vagas que forem necessárias para superar as necessidades".
"São quase 4 mil por ano, todos os anos, é isso que nós vamos ter e por isso nós precisamos de ter essa formação", vincou.
Para Fernando Alexandre, "uma parte do problema pode ser resolvida trazendo os professores que tinham abandonado a carreira de regresso à profissão".
"No ano passado, conseguimos trazer para a profissão seis mil novos professores", adiantou, sublinhando que este é um sinal de que se está a conseguir passar a "mensagem da valorização dos professores e da importância que o país tem de lhes dar".
O ministro criticou o facto de, "durante demasiado tempo", não se ter dado esse reconhecimento, "o que levou os professores a abandonarem a carreira, a tomarem outras, a seguir outros caminhos", adiantando que quem escolhe a profissão de professor, tem de saber com o que vai contar, o que vai acontecer em 2027, com o novo estatuto da carreira docente.
Fernando Alexandre lembrou que o Governo anterior recuperou o tempo de serviço que os professores reclamavam há muito tempo "e a que tinham direito", num investimento de centenas de milhões de euros que "é um sinal de reconhecimento da importância que os professores têm".
O ministro acrescentou ainda que em 2024 foram vinculados 1.700 professores num concurso extraordinário e que agora os professores que têm apenas habilitação própria e estão vinculados condicionalmente por quatro anos nas zonas mais deficitárias vão poder fazer a profissionalização através de cursos da Universidade Aberta e sem quaisquer custos.
O Governo vai pagar integralmente esses cursos e os professores vão ter condições para, ao mesmo tempo que estão a dar aulas, poderem concluir a profissionalização e ficarem com o vínculo permanente.
"Espero que esse tipo de medidas faça com que os novos alunos sejam formados, que olhem para a profissão de professor com a importância e com o peso que ela tem, no fundo", disse Fernando Alexandre.