Educação
Bullying continua a aumentar, alerta APAV. Escolas e telemóveis no centro da preocupação
20 out, 2025 - 08:05 • Teresa Almeida , Olímpia Mairos
A Confap defende a criação, a nível nacional, de gabinetes especializados no combate a comportamentos agressivos e ao bullying, uma medida já solicitada ao Ministério da Educação.
O bullying continua a aumentar em Portugal. Esta é a perceção da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), que assinala o Dia Mundial de Combate ao Bullying com um alerta para o crescimento deste fenómeno, sobretudo no meio digital.
O uso generalizado do telemóvel veio elevar o bullying a outro patamar, tornando-se uma das formas mais graves de agressão entre jovens.
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Os últimos dados oficiais da APAV, divulgados em 2023 e relativos ao período entre 2020 e 2022, revelam um aumento de 181% nos casos de bullying. Mais de metade das vítimas tinham entre 11 e 17 anos, predominando a violência verbal. Em 81% das situações, os episódios ocorreram em estabelecimentos de ensino, com Lisboa e Porto a liderarem o número de ocorrências.
Em declarações à Renascença, Patrícia Ferreira, da APAV, confirma que o problema tem vindo a agravar-se e sublinha o impacto das tecnologias.
“Nessa época havia já um aumento significativo das situações de bullying, e essa continua a ser a realidade atual. Os casos que chegam até nós representam apenas uma pequena parte das vítimas que sofrem este tipo de violência”, indica.
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Segundo a responsável, o ciberbullying é atualmente a forma de violência que mais cresce, com as escolas no centro das preocupações.
“A escola continua a ser o palco principal, mas o digital ganhou um destaque enorme. Antigamente, quando o bullying acontecia no contexto escolar, terminava à porta da escola. Hoje, a agressão continua online”, aponta Patrícia Ferreira.
Há, no entanto, sinais de esperança. Com a recente proibição do uso de telemóveis nas escolas, em vigor há pouco mais de um mês, acredita-se que o bullying — sobretudo o digital — possa começar a diminuir.
O presidente da Associação Nacional de Diretores de Escolas Públicas (Andaep), Filinto Lima, admite já notar uma diferença.
“O bullying nas escolas é uma preocupação antiga. Creio que a proibição dos telemóveis pode ter ajudado a aliviar a situação. Ainda é cedo para conclusões científicas, mas foi uma boa medida para reduzir o bullying digital”, observa.
Filinto Lima acrescenta, em tom de crítica, que os pais também deveriam impor períodos sem telemóvel em casa, notando que os recreios estão agora “mais barulhentos” — sinal de maior interação entre os alunos.
Já a Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) apresenta uma visão distinta. Embora sem dados concretos, Mariana Carvalho reconhece um ambiente mais tenso nas escolas.
“Temos assistido a casos de indisciplina e irritabilidade, com respostas desajustadas, ainda que nem sempre se trate de bullying. Mas há também conflitos entre pais, professores e outros funcionários”, declara.
A Confap defende a criação, a nível nacional, de gabinetes especializados no combate a comportamentos agressivos e ao bullying, uma medida já solicitada ao Ministério da Educação.
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