Diretor nacional da PJ diz que crimes de ódio estão a aumentar e promete "combate feroz"
21 out, 2025 - 21:23 • Lusa
"Há uma grande difusão destas mensagens, designadamente contra mulheres. Perseguem-nas, perseguem pessoas de outras nacionalidades, de outros credos, de outras raças", denuncia Luís Neves.
O diretor nacional da Polícia Judiciária (PJ) afirmou esta terça-feira que os crimes de ódio estão a aumentar em Portugal e prometeu um "combate feroz", em particular, da Unidade Nacional Contraterrorismo (UNCT).
"Os crimes de ódio estão em pleno crescimento. Há uma grande difusão destas mensagens, designadamente contra mulheres. Perseguem-nas, perseguem pessoas de outras nacionalidades, de outros credos, de outras raças", relatou.
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Sem apresentar dados, Luís Neves alertou para o crescimento deste tipo de crime, depois de a PJ ter detido esta terça-feira um cidadão luso-brasileiro por alegadamente ter cometido crimes de incitamento ao ódio, como oferecer um pagamento pela morte de uma jornalista brasileira residente em Portugal.
A propósito do caso, o diretor nacional da PJ considerou inaceitável o recrutamento e radicalização sobretudo de jovens para "atacar mulheres só porque são mulheres, ou para atacar pessoas de outras origens".
"Estamos a falar de crimes politicamente motivados e essa é uma das grandes preocupações, a par da violência que também decorre da difusão destas mensagens, muitas vezes assente na manipulação, nas 'fake news'", acrescentou.
Crime
Oferecia apartamentos em troca de massacres. Detido homem por incitamento ao ódio nas redes sociais
O suspeito prometia um apartamento no centro de Li(...)
Apontando o combate aos crimes de ódio como um dos objetivos da UNCT, Luís Neves sublinhou ainda, dirigindo-se em particular à extrema-direita, que quem cometer aquele tipo de crimes poderá contar com "combate feroz por parte da PJ".
A UNCT deteve, em Vila Real, fora de flagrante delito, um homem "fortemente indiciado de ter difundido nas redes sociais uma publicação na qual incita à violência contra um grupo de pessoas de nacionalidade estrangeira".
Em comunicado, a PJ explicou que nestas publicações nas redes sociais o suspeito "oferecia como recompensa um apartamento no centro de Lisboa [no valor de 300 mil euros] a quem realizasse um massacre e exterminasse determinados cidadãos estrangeiros e um bónus adicional de 100 mil euros a quem atentasse contra a vida de uma jornalista brasileira que trabalha em Portugal".
O suspeito tem, segundo a PJ, antecedentes por crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência, tendo sido apreendidos durante a detenção elementos de prova relativos ao seu radicalismo ideológico, não especificados.
Em junho, a PJ já tinha desmantelado uma milícia armada de extrema-direita, com centenas de munições, armas militares, algumas das quais produzidas através de tecnologia 3D, e explosivos apreendidos.
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