Jovens portugueses passam 3,4 horas por dia na Internet e têm dificuldade em reconhecer fake news
21 out, 2025 - 11:35 • Olímpia Mairos
Estudo da Euroconsumers e Deco Proteste revela que, apesar de dominarem o mundo digital, muitos adolescentes ainda têm dificuldade em distinguir conteúdos falsos e em compreender o papel dos algoritmos nas redes sociais.
Os jovens portugueses entre os 12 e os 17 anos passam, em média, 3,4 horas por dia ligados à Internet, mais do que a média europeia (3,2 horas). O dado é revelado por um estudo da Euroconsumers, organização europeia de defesa dos consumidores da qual faz parte a Deco Proteste, que inquiriu mais de três mil jovens em Portugal, Espanha, Itália, Bélgica e Polónia. Em território nacional, participaram mais de 600 adolescentes.
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De acordo com o estudo, 94% dos jovens utilizam redes sociais, embora estas surjam apenas em quinto lugar nas atividades mais frequentes online. O contacto com amigos e familiares lidera (67%), seguido de “aprender algo novo” (60%) e “ouvir música” (58%).
Apesar da forte presença digital, os adolescentes portugueses também mantêm uma vida ativa fora do ecrã: quase todos convivem com família e amigos, 82% praticam desporto e 69% dedicam-se às artes ou ao estudo de línguas estrangeiras. Além disso, 49% tocam um instrumento musical e 34% fazem voluntariado.
“Este estudo mostra que os jovens vivem num equilíbrio constante entre o mundo online e offline. É fundamental que pais, educadores e decisores políticos promovam literacia digital e ferramentas que ajudem os adolescentes a navegar de forma segura e consciente, sem perder as oportunidades que a Internet oferece”, afirma Nuno Figueiredo, da Deco Proteste, citado em comunicado.
Apesar de passarem horas ligados à Internet e de estarem até familiarizados com a Inteligência Artificial (IA) generativa – 98% conhecem estas ferramentas e 68% lidam com elas, o estudo revela, contudo, uma fragilidade preocupante: muitos jovens têm dificuldade em identificar fake news. Apenas 45% conseguem reconhecer, às vezes, uma notícia falsa; 38% um texto; 36% uma imagem; e 39% um vídeo. Quase um em cada cinco jovens admite não conseguir distinguir conteúdos falsos de verdadeiros.
Outro dado relevante mostra que mais de 30% dos inquiridos desconhecem o papel dos algoritmos na definição do que veem online, acreditando que não existe nenhum sistema que utilize os seus dados pessoais para moldar o feed nas redes sociais.
A Deco Proteste sublinha a importância de estudos como este para orientar políticas públicas e educativas que promovam um uso mais seguro, consciente e equilibrado da Internet, potenciando os seus benefícios e reduzindo os riscos do ambiente digital.
- Noticiário das 12h
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