22 out, 2025 - 13:35 • Liliana Monteiro , João Malheiro
O advogado de Bruno Pinto, o polícia acusado de ter morto Odair Moniz, em outubro do ano passado, diz que "falta formação" de uso de armas de fogo aos agentes da PSP.
"Falta formação sempre. No caso da polícia, lança problemas graves. Este agente, na carreira de tiro, só esteve na escola prática", realça, em declarações aos jornalistas, no final da primeira manhã de julgamento, que decorreu esta quarta-feira, em Sintra.
Para Ricardo Serrano Vieira, este tipo de formação "devia ser reforçada", para evitar situações com um resultado semelhante, "que nenhum agente quer ter".
Reportagem Renascença
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O representante legal encetou as condolências à família de Odair Moniz e reconhece que é uma "situação marcante principalmente para a família do falecido", mas acredita que também foi para o seu cliente.
"Para este agente é dificil. Está a sempre a reviver o momento. Este não é o resultado que ele queria", sublinha.
O advogado considera, por outro lado, que a vítima "além de não ter cumprido a lei, se se tivesse comportado de outra maneira, o resultado final não seria este".
Realça, igualmente, que o local onde decorreu o incidente é "complexo", com vários dados de entidades públicas a identificarem a zona como "conflituosa, de muitos cidadãos em criminalidade organizada e tráfico de droga".
Questionado sobre o depoimento de Bruno Pinto, que aponta que Odair Moniz teria uma arma branca na mão, o representante da defesa diz que o depoimento do seu cliente "é plausível ter acontecido".
"Estará sempre disponível para prestar qualquer esclarecimento, para descobrir a verdade, seja qual for a consequência", garante, ainda.
Arrancou esta quarta-feira, pelas 09h30, o julgamento do agente da PSP acusado de matar Odair Moniz, em outubro do ano passado.
A sessão começou com a defesa do Odair a pedir condenação do agente. De seguida, o polícia Bruno Pinto foi identificado como o arguido e, durante esse ato, emocionou-se, limpando as lágrimas.
Odair Moniz morreu na Cova da Moura, vítima de dois tiros disparados pelo agente da PSP a 21 de outubro de 2024.
Segundo a acusação, o cabo-verdiano de 43 anos residente no Bairro do Zambujal tentou fugir da PSP e resistir à detenção, mas não se verificou qualquer ameaça com recurso a arma branca, contrariando o comunicado oficial divulgado pela Direção Nacional da PSP, segundo o qual o homem teria "resistido à detenção" e tentado agredir os agentes "com recurso a arma branca".
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