24 out, 2025 - 10:55 • João Cunha
Fachada principal da Secundária Filipa de Lencastre, em Lisboa, sede do agrupamento com o mesmo nome. À esquerda, a básica do 2º ciclo e á direita, a do 1º ciclo. Nas três, alunos e pais, sobretudo dos mais pequenos, vão chegando, perto da hora de abertura.
Nos espaços verdes contíguos, residentes na zona passeiam os cães, que por vezes interrompem as pesquisas odoríferas para deixar uma criança fazer uma festa.
Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui
Chegam a pé, de bicicleta, alguns de trotinete, e amontoam-se frente á escola, á espera de notícias. Às oito, hora da habitual abertura, um dos funcionários presentes avisa que não há aulas no período da manhã, mas que às 11 horas haverá uma reavaliação.
Se for como ontem, voltam a não existir funcionários suficientes para abrir a escola.
À porta da básica do 2º ciclo estão concentrados muitos alunos.
"Não há aulas, não há aulas", gritam, em uníssono, porque, como explicava um deles, antes dos festejos, "hoje há teste de matemática". Havia, já não há. E agora há que encontrar uma solução para as crianças que vão ter de ficar em casa, com os pais a terem de ir trabalhar.
"Valha-nos a pandemia", adianta Paula Pedroso, para quem esse período triste mudou comportamentos e formas de trabalhar.
Não é o caso dela, que trabalha presencialmente. Mas o teletrabalho permite, a outro pai, ficar em casa e organizar uma espécie de ATL, para o filho e para alguns colegas.
"Conseguimos revezar-nos. Distribuímo-los. Uns vão para casa de uns, depois trocamos e vão para casa dos outros. Somos todos vizinhos e temos essa vantagem".
Mas para muitos pais, a realidade é outra e por isso, a logística não é fácil.
"Não é. É complicadíssimo. Já foi ontem, volta a ser hoje... Eu entendo, eles têm direito a não estarem contentes e a protestar. Mas a logística para os pais é complicada", garante Cátia Martins, que chegou antes da hora de abertura, com a filha pela mão, para a deixar na escola.
"Este é o segundo dia de falta ao trabalho", lembra, sublinhando que é das que pode ficar com a filha em casa.
"Eu consigo em teletrabalho, mas é complicado estar sempre a ouvir mãe, mãe, mãe, mãe".
Ali não muito longe, Eduarda Clemente percebe que não há aulas e que vai ter de levar o filho para casa. Mas suspira de alívio.
"Ele já está noutra idade. No segundo ciclo fez-me grande transtorno. Agora, já vai para casa, já tem autonomia, já não me faz diferença".