28 out, 2025 - 07:15 • Ana Fernandes Silva
Os portugueses são tradicionalmente conhecidos por deixarem tudo para a última, mas há exceções à regra. E uma das exceções parece verificar-se nos comportamentos pós-apagão.
As pessoas não se esquecem do dia 28 de abril e prova disso é que têm-se vindo a preparar para a eventualidade de acontecer outra situação idêntica de crise.
"Não tinha nenhuma solução que não fosse de energia elétrica e agora tenho. Comprei um bico de fogão e tenho uma garrafinha de gás na garagem, guardada", conta Luísa à Renascença, ao sair de um supermecado com o saco das compras na mão.
O desassossego, a ansiedade, a dúvida que se instalaram no dia 28 de abril não sairão tão cedo da memória dos portugueses. De repente, o país ficou às escuras e as ruas encheram-se de pessoas num vai e vem constante. Os supermecados ficaram cheios de pessoas e as prateleiras rapidamente ficaram vazias.
Também Margarida considera que hoje está "mais preparada do que estava na altura, com mais conservas, mais água e o rádio a pilhas".
O rádio a pilhas foi o socorro de muitos: uns vasculharam gavetas esquecidas, outros foram a correr comprar um nas poucas lojas que ainda os vendem.
"Lembro-me do meu avô ter um há muitos anos. Para mim, isso já era algo vintage, quase de coleção", confessa rindo-se, Margarida.
Bruno, dono de uma loja de artigos usados em Vila Nova de Gaia, contraria esta ideia ao constatar que "desde o apagão há uma procura maior pelos rádios despertadores".
As lojas de conveniência e as grandes superfícies comerciais tiveram rutura de stock tal foi a procura dos portugueses. Água, comida enlatada, velas, geradores de energia, rádios a pilhas desapareceram das prateleiras num piscar de olhos.
Seis meses depois é seguro dizermos que os portugueses "aprenderam com o erro" e estão agora mais preparados com um kit de emergência seguramente mais completo do que há seis meses.