Associação alerta para graves consequências de exploração a céu aberto de volfrâmio na Galiza
29 out, 2025 - 10:48 • Olímpia Mairos
A Associação UIVO exige uma ação urgente por parte dos ministros portugueses do Ambiente e dos Negócios Estrangeiros, pedindo-lhes que solicitem ao Governo de Espanha a suspensão imediata dos trabalhos e a realização de uma Avaliação de Impacto Ambiental Transfronteiriça, com participação das autoridades portuguesas competentes.
A Associação UIVO, sediada em Vinhais, alertou esta quarta-feira para as graves consequências ambientais e sociais de uma exploração a céu aberto de volfrâmio que a empresa Tungsten San Juan, filial galega da Eurobattery Minerals (Suécia), pretende iniciar em 2026 na localidade de Pentes (A Gudiña, Ourense).
A ser construída a exploração ficará a apenas dois quilómetros da fronteira com Portugal — mais precisamente do concelho de Vinhais e do Parque Natural de Montesinho, área protegida integrada na Reserva da Biosfera Transfronteiriça Meseta Ibérica.
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Em comunicado enviado à Renascença, a associação além de alertar para as graves consequências ambientais e sociais diz que não foi realizada uma Avaliação de Impacto Ambiental Transfronteiriça, obrigatória ao abrigo da Convenção de Espoo, devido à proximidade do projeto à fronteira.
Segundo a associação, a Junta da Galiza e o Governo de Espanha não acionaram este procedimento, o que poderá configurar violação da Convenção de Espoo e da legislação europeia aplicável.
De acordo com a UIVO - Por uma Reserva da Biosfera Meseta Ibérica livre de minas, já foram contactadas as juntas de freguesia das localidades mais próximas, a Câmara Municipal de Vinhais e os ministérios do Ambiente e dos Negócios Estrangeiros, mas nenhuma das entidades respondeu até ao momento.
“Algo que consideramos extremamente preocupante porque no local em causa já se iniciaram os primeiros movimentos de terras para instalação de um pavilhão de serviços”, lê-se.
Do lado português, o Parque Natural de Montesinho é uma das áreas protegidas com maior biodiversidade do país.
A associação destaca ainda o risco de contaminação dos afluentes do rio Rabaçal, que tem o seu curso quase integralmente em território nacional e que faz parte da bacia hidrográfica do Douro.
“A contaminação do Rabaçal, onde se fazem captações de água para consumo humano e para a agricultura e um dos dois rios nacionais que ainda possui uma população do mexilhão Margaritifera margaritifera (uma das espécies de bivalves de água doce mais ameaçadas a nível mundial) - é uma possibilidade muito real caso a mina de San Juan entre em funcionamento sem que haja a referida Avaliação Ambiental Transfronteiriça”, acrescenta a nota.
Além da contaminação, a exploração mineira poderá causar ruído, poeiras, vibrações e aumento de tráfego pesado, afetando a qualidade de vida das populações de Vinhais.
Perante o cenário, a Associação UIVO exige uma ação urgente por parte dos ministros portugueses do Ambiente e dos Negócios Estrangeiros, pedindo-lhes que solicitem ao Governo de Espanha a suspensão imediata dos trabalhos e a realização de uma Avaliação de Impacto Ambiental Transfronteiriça, com participação das autoridades portuguesas competentes.
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