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Julgamento

Testemunhas dizem que Odair Moniz nada tinha na mão quando foi morto por polícia

29 out, 2025 - 14:49 • Lusa

Agente da PSP "já estava com os braços estendidos" no segundo disparo, testemunhou o sobrinho de Odair, Evandro Duarte, de 21 anos nesta quarta-feira.

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Duas testemunhas do momento em que, em 2024, um polícia matou a tiro Odair Moniz na Cova da Moura, Amadora, asseguraram esta quarta-feira no julgamento do processo que a vítima não tinha nada na mão quando foi atingida.

Questionados pelo Ministério Público se Odair Moniz tinha "algum instrumento" na mão quando o agente da PSP Bruno Pinto disparou por duas vezes, Fábio e Evandro Duarte, tio e sobrinho de 31 e 21 anos respetivamente, responderam que não.

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Na primeira sessão do julgamento, em 22 de outubro, Bruno Pinto, de 28 anos, garantiu que quando disparou acreditou que o cidadão cabo-verdiano o estava a ameaçar com uma faca, uma vez que vira uma lâmina na zona da cintura da vítima.

Nesta quarta-feira as duas testemunhas afirmaram que os disparos ocorreram na sequência de uma disputa entre o polícia e Odair Moniz, que queria evitar ser algemado e detido pela PSP.

"Acabou por haver uma disputa, ele [Odair Moniz] acabou por tentar afastá-lo [ao polícia], e ele acaba por tentar pôr o Odair no chão e acaba por efetuar os disparos", relatou Evandro Duarte, precisando que os tiros foram "para baixo".

Fábio Duarte descreveu que no momento em que Bruno Pinto estava a tentar imobilizar o cidadão cabo-verdiano este "estava um bocadinho mais abaixado", tendo o polícia tirado a pistola e disparado, com a arma colada ao próprio corpo.

No segundo disparo, precisou, o agente da PSP "já estava com os braços estendidos".

A sessão ficou ainda marcada pelas dúvidas expressas pelo tribunal quanto à visão que a testemunha mais nova tinha dos acontecimentos, com um dos juízes a recorrer à aplicação Google Maps para sustentar que o jovem se encontrava mais longe do lugar e com menor visibilidade para o sucedido do que alegou.

Odair Moniz, de 43 anos e residente no Bairro do Zambujal (Amadora), foi morto a tiro pelo agente da PSP Bruno Pinto em 21 de outubro de 2024, depois de ter tentado fugir à PSP e resistido a ser detido na sequência de uma infração rodoviária.

Segundo a acusação do Ministério Público, datada de 29 de janeiro de 2025, o cidadão cabo-verdiano foi atingido por dois projéteis – um primeiro na zona do tórax, disparado a entre 20 e 50 centímetros de distância; e um segundo na zona da virilha, disparado a entre 75 centímetros e um metro de distância.

O despacho não refere qualquer ameaça com uma arma branca por parte de Odair Moniz. Bruno Pinto, em liberdade e suspenso de funções há cerca de um ano, está acusado de homicídio e incorre numa pena de oito a 16 anos de prisão.

O julgamento prossegue até 10 de novembro no Tribunal Central Criminal de Sintra, com a audição de mais testemunhas.

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