Balanço da época balnear
Só se morre afogado no verão e no mar? "Mentira". Afogamentos continuam "bastante elevados"
31 out, 2025 - 07:15 • Miguel Marques Ribeiro
O número de mortes por afogamento continua a colocar Portugal numa situação pior do que a maioria dos seus congéneres europeus. O balanço da época balnear de 2025, que já terminou, deve seguir a tendência negativa dos anos anteriores, antecipa Federação Portuguesa dos Nadadores Salvadores.
“A maior parte dos portugueses ainda julga que só se morre afogado no verão e no mar e esta é uma das maiores mentiras que existem”, alerta o presidente da Federação Portuguesa de Nadadores-Salvadores (FEPONS), Alexandre Tadeia.
A época balnear acabou a 15 de outubro (pelo menos na maioria dos concelhos do país) e a tendência dos últimos anos parece manter-se: “Infelizmente, estamos à espera, nesta época balnear, de um número de afogamentos muito próximo dos anos anteriores”, afirma o dirigente.
Desde 2019, em Portugal morreram em média 129 pessoas por ano nas praias nacionais e noutros tipos de locais aquáticos, como piscinas, “um valor bastante elevado, quando nos comparamos com outros países da Europa”.
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Embora não existam ainda dados definitivos, relativamente a 2025, a realidade dos últimos meses será em tudo semelhante. Uma persistência de maus resultados que Alexandre Tadeia atribui à “escassez de nadadores-salvadores” e à existência de “muitas praias sem a quantidade de nadadores-salvadores prevista na lei”.
Problemas, afirma, “que todos os anos se arrastam e que este ano foram mais uma vez constatados”.
Dificuldades sentem-se mais no sul e no litoral
O cerne da questão, sublinha, até nem está na quantidade de nadadores-salvadores existentes (cerca de 5 mil pessoas no total, com a devida acreditação) mas sim na sua disponibilidade.
A maioria dos nadadores-salvadores, garante, são estudantes universitários que, devido aos estudos, não estão disponíveis para o arranque oficial da época balnear, que normalmente ocorre a 1 de maio.
Uma contrariedade agravada pela falta de investimento nesta área: “não há sequer incentivos, quer fiscais quer sociais, quer mesmo até a nível estudantil, para se ser trabalhador-estudante na área da assistência a banhistas em Portugal”.
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As dificuldades distribuem-se de forma desigual pelo território: sentem-se mais a sul do país, onde tendencialmente a época balnear começa mais cedo (o período de vigilância das praias é determinado por cada concelho) — e também no interior do território, onde a escassez de recursos humanos é mais grave.
Prevenção e mais nadadores-salvadores
A FEPONS critica ainda algumas autarquias que, assegura Alexandre Tadeia, não estão a assumir as responsabilidades a que “são obrigadas por lei”. Isto apesar de receberem o devido apoio financeiro, a partir do pagamento dos concessionários das praias. “Têm esta competência e muitas delas não a estão a assumir”, aponta.
À imagem de anos anteriores, a solução em 2025 passou pela acumulação de horas extraordinárias pelos (poucos) nadadores-salvadores disponíveis e pela contratação de profissionais estrangeiros.
Face a este cenário e numa altura em que a Federação prepara a apresentação de um conjunto de propostas ao Governo, Alexandre Tadeia apela a uma “maior aposta na prevenção e também na assistência a banhistas”.
E deixa um aviso aos portugueses para porem de lado ideias pré-concebidas: “Morre-se [nas praias] durante todo o ano e até mais no interior do que no litoral”.
- Noticiário das 6h
- 12 jul, 2026







