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Grávida e bebé morrem no hospital

"Falha grave" na comunicação leva à demissão de administração do Amadora-Sintra

03 nov, 2025 - 11:29 • Daniela Espírito Santo

Pedido de demissão do presidente do conselho de administração do hospital foi aceite pela ministra da Saúde, que admite que não tinha "informação total" sobre grávida que morreu quando falou aos deputados, na sexta-feira.

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O presidente do conselho de administração do Hospital Amadora-Sintra, Carlos Sá, demitiu-se. A informação foi, esta segunda-feira, veiculada pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, que garantiu aos jornalistas ter aceitado a decisão da administração daquela unidade hospitalar.

A demissão surge após a morte de uma grávida e do seu bebé, na madrugada de sexta-feira, depois desta ter recorrido às urgências daquele hospital.

Começando por dizer que lamenta "a morte desta senhora e do seu bebé", Ana Paula Martins reitera que se trata de uma "situação muito sensível" e que "tem de merecer a todos uma grande consternação". Inquirida sobre os detalhes que deu sobre o caso no debate do orçamento, no Parlamento, a ministra assegura que, na altura, não tinha a "informação total" sobre o caso desta mulher. Ou seja, quando falou aos deputados, na sexta-feira, não tinha indicação de que a informação de que dispunha "era incompleta". Na altura, recorde-se, Ana Paula Martins garantiu que a grávida em questão não estaria a ser acompanhada pelo Serviço Nacional de Saúde, situação que foi, no entretanto, desmentida.

"A grávida tinha, efetivamente, tido consultas de vigilância nos cuidados de saúde primários daquela mesma ULS", admitiu a ministra, explicando que foi essa "falha de informação considerada grave" que levou o presidente do conselho de administração do Amadora-Sintra a colocar "o seu lugar à disposição". "E eu aceitei. É tudo o que tenho para vos dizer".

"A informação que obtive por parte da unidade local de saúde que tem o Hospital Fernando da Fonseca foi uma informação que não me foi só dada a mim, foi dada a todos os portugueses através da comunicação social", defende Ana Paula Martins, garantindo ter "muito cuidado com as informações clínicas". "Não compete à ministra da Saúde estar a comentar casos clínicos mas, neste caso, tendo em conta a situação, não podia deixar de dar a informação", acrescenta.

A indicação só chegou no domingo, pelo presidente do conselho de administração da unidade local de saúde, que, ontem, a informou "de que uma parte da informação que tinha sido dado era incompleta". "Ou seja, que a informação que eu tinha veiculado e que me tinha sido dada não era a informação total", repete, escusando-se a responder a quaisquer perguntas dos jornalistas.

Em comunicado, assinado por Carlos Sá, confirma-se que a informação reproduzida pela ministra em audição parlamentar corresponde "integralmente" aos dados de que "dispunha no momento da comunicação".

"Informações adicionais vieram a ser conhecidas apenas em momento posterior", admite o responsável, que acredita que a "responsabilidade política e pública é pessoal e indelegável" e que, por isso, "decidiu colocar à consideração" da ministra a sua "continuidade em funções", como compromisso com "os princípios da ética, rigor e serviço público".

[Notícia atualizada às 12h12 de 3 de novembro de 2025 para acrescentar detalhes do comunicado assinado por Carlos Sá]

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  • Contra-corrente
    03 nov, 2025 País 20:03
    Desculpem lá o mau jeito... Mas em vez de mandarem um batalhão de repórteres a Angola falar com o marido, alguém já se perguntou com quanto eles contribuíram para este País, para virem para cá "mamar" gratuitamente do SNS?

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